Em um ano, Americana ‘ganha’ sete automóveis a cada dia

Cidade tinha 112.351 automóveis cadastrados em 2018, contra 109.740 carros no ano anterior; este é o segundo maior aumento desde os anos 2014 e 2015


As ruas de Americana “ganharam” sete novos carros por dia entre 2017 e 2018, o maior aumento registrado desde 2014/2015. Os dados são da Secretaria de Transportes e Sistema Viário e foram divulgados no Informativo Socioeconômico de Americana.

Em 2017, a cidade contava com 109.740 automóveis cadastrados. No ano seguinte, o número subiu para 112.351. Em termos percentuais, o crescimento foi de 2,3%, o que representa uma média de sete novos carros por dia.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Americana tem média de dois habitantes por automóvel, um pouco abaixo da média do Estado, que é de 1,9

Até então, o maior aumento havia sido registrado de 2014 para 2015, quando a média foi de 15 carros por dia de um ano para outro.

O consultor de vendas Renato Baldassin, de 47 anos, comprou um carro novo no ano passado e diz não ter dificuldades para chegar ao trabalho, que é perto de sua casa. O problema acontece no fim do dia, quando vai buscar o filho na escola.

“É tranquilo para vir trabalhar. Complicado é sair do São Vito para ir buscar meu filho na Dom Pedro. Aí você vê que já começa por volta das 17 horas e pouco o trânsito. Todos os dias. Cada vez pior, principalmente nas principais entradas de Americana”, comentou Baldassin.

De acordo com estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Americana tinha 237.112 habitantes em 2018. Já a frota de carros na cidade em junho deste ano era de 116.985, de acordo com o Detran (Departamento Estadual de Trânsito). Isso representa uma média de dois habitantes por automóvel, um pouco abaixo da média do Estado, que é de 1,9.

Na visão do professor de engenharia civil da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e especialista em trânsito e transporte, Creso de Franco Peixoto, a falta de vias expressas em Americana é um dos fatores que contribuem para o trânsito intenso.

“Esse número (habitantes por veículo) está próximo da média do Estado de São Paulo, mas Americana é uma cidade que não tem uma quantidade elevada de vias expressas e principais. A quantidade de ruas de tráfego local e avenidas é restrita em relação a outras cidades paulistas”, contextualizou Creso.

“Dessa forma, apesar do índice de motorização estar quase na média, do ponto de vista de veículos, comparando com outras brasileiras, a falta de vias expressas é o que explica a dificuldade da mobilidade. É preciso lembrar que Americana está dentro de um contexto nacional que ainda carece da oferta e da compreensão da necessidade de deixar o carro em casa e usar o transporte público”, analisou o especialista.

O LIBERAL questiona desde o dia 20 de agosto a Prefeitura de Americana sobre os impactos desse aumento de carros no trânsito e se há previsão de novas obras de mobilidade. Entretanto, não houve resposta até o fechamento desta edição.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora