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Americana

Em manifestação, Unegro cobra igualdade e volta de feriado da Consciência Negra

Concentração teve início na Praça Comendador Müller, em Americana, e contou com a participação de cerca de 50 pessoas

Por Heitor Carvalho

21 nov 2020 às 08:56 • Última atualização 23 nov 2020 às 14:26

A Unegro (União de Negros pela Igualdade) fez uma manifestação no Centro de Americana, durante o final da tarde desta sexta-feira (20), por conta da celebração do Dia da Consciência Negra. Entre as principais demandas do ato, estavam a igualdade racial plena na sociedade e a volta de feriado da Consciência Negra no município.

Em março de 2016, a lei que previa o feriado na cidade chegou a ser aprovada na Câmara americanense, mas o feriado nunca chegou a ocorrer, visto que, naquele ano, o dia 20 de novembro caiu em um domingo.

Manifestante durante ato no Centro de Americana, na tarde desta sexta: pedidos por igualdade e revolta por morte em supermercado – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

No ano seguinte, o prefeito Omar Najar enviou um projeto de lei que determinava que a comemoração não ocorresse no dia 20 de novembro e sim no terceiro domingo do mês, o que foi aprovado no início de novembro de 2017.

Entidades de comerciantes da região, como o Sincomercio (Sindicato dos Lojistas e do Comércio Varejista de Americana, Nova Odessa e Santa Bárbara d’Oeste), alegaram na época que um feriado adicional poderia gerar um impacto negativo na economia local.

A concentração teve início na Praça Comendador Müller, por volta de 17h15, com a apresentação de discursos, declamação de poemas e um minuto de silêncio por conta da morte de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, um homem negro que foi espancado até a morte em um hipermercado de Porto Alegre na última quinta-feira.

Para Pedro Monteiro da Rocha Ramos, estudante e membro da Unegro, de 20 anos, a morte de João Alberto é uma demonstração de como o racismo ainda é uma realidade atual no Brasil. Ramos também salientou a importância da instituição de um feriado na data.

“A maioria das cidades da região, como Sumaré, Nova Odessa e Santa Bárbara, consideram o Dia da Consciência Negra como um feriado. É um absurdo o comércio estar funcionando no dia de hoje. Americana está na vanguarda do atraso”, afirmou.

O ato prosseguiu pela Rua 30 de Julho, passou pela Praça Basílio Rangel e atravessou a Avenida Dr. Antônio Lobo. A manifestação foi encerrada no Terminal Metropolitano de Americana por volta de 18h30. De acordo com a organização, cerca de 50 pessoas participaram do protesto.

Em abril desse ano, os vereadores da Câmara de Americana voltaram a abordar o tema e rejeitaram o projeto de lei do vereador Padre Sérgio (PT) que pretendia instituir o Dia da Consciência Negra como feriado religioso.

Para a historiadora, pesquisadora e integrante da Unegro, Cláudia Monteiro da Rocha Ramos, a data é significativa para os movimentos dos negros brasileiros, pois relembra figuras importante do movimento negro brasileiro, como o líder Zumbi dos Palmares.

Além de clamar para que a data seja um feriado municipal, Cláudia ainda salientou outras demandas do movimento, como um Conselho do Negro e a implementação de políticas públicas para a população afrodescendente da cidade.

“Precisamos reconhecer que o feriado ajuda na conscientização contra o racismo sistêmico e institucional que enfrentamos na sociedade. O feriado joga luz a uma problemática racial que precisa ser debatida, sobretudo na cidade de Americana”, afirma.

Na eleições municipais de 2020, Americana foi a única cidade da RPT (Região do Polo Têxtil) a não eleger um candidato autodeclarado preto para ocupar uma das vaga da Câmara Municipal.

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