Em depoimentos, pelo menos mais 4 acusam padre Leandro de abusos

Declarações foram colhidas nesta quinta-feira em uma igreja de Araras; parte das vítimas já depôs também à polícia


Mais quatro pessoas acusaram o padre Pedro Leandro Ricardo, de Americana, de abuso sexual em depoimentos a um comitê de investigação interna da Igreja Católica, segundo a advogada Talitha Camargo da Fonseca, que representa o grupo. Os depoimentos aconteceram na Paróquia São Benedito, em Araras, na manhã desta quinta-feira. Talitha diz que, até agora, teve conhecimento de sete casos de abuso – parte deles já depôs também à polícia.

À tarde, houve novos relatos sobre o caso Leandro na Igreja Dom Bosco, em Americana. Entre as pessoas ouvidas, estavam os pais de um garoto que teria sido vítima. O LIBERAL não conseguiu apurar o teor deste depoimento, mas, em conversa com a reportagem cerca de duas semanas atrás, a mãe do menino disse que o rapaz foi alvo de assédio – não houve abuso, de acordo com ela. Outras pessoas também iriam depor em Leme, diz Talitha.

Os depoimentos têm sido colhidos por dois sacerdotes. Na igreja de Americana, começaram por volta das 14 horas e até as 16h45 de ontem ainda não tinham terminado. Além dos pais do garoto, estavam previstos os depoimentos de três pessoas que acusam Leandro de assédio moral e perseguição.

O padre, ex-reitor da Basílica de Americana, está afastado de suas funções desde janeiro. Ele também é investigado pela Polícia Civil em Americana e Araras (Leandro trabalhou naquela cidade antes de ser transferido para Americana, em 2013). Além das apurações sobre supostos abusos sexuais, o religioso, de 50 anos, é investigado por desvio de verbas da igreja e perseguição a fieis.

O bispo de Limeira, dom Vilson Dias de Oliveira, é investigado por supostamente exigir dinheiro de padres para despesas pessoas e por acobertar casos de Leandro (que era seu subordinado). Vilson continua no cargo.

De acordo com Talitha, o padre tentava aliciar os meninos com a mesma estratégia: “Tentava ser o melhor amigo, substituir o pai”. De acordo com ela, as vítimas geralmente eram rapazes entre 11 e 17 anos, que atuavam como coroinhas e acólitos. “Todos tiveram contato físico? Todos. Agora falar para você qual nível de contato isso eu não posso dizer, por respeito a eles.”

A defesa de Padre Leandro nega os crimes. Seu advogado, Paulo Sarmento, divulgou nota na semana passada na qual diz que há um grupo criminoso por trás das denúncias, e que inclusive ocorre a contratação de pessoas para se apresentar como vítimas de abuso.

Os advogados de parte das pessoas que denunciam Leandro divulgaram uma nota em resposta. “Julgar as vítimas é o mais sórdido e mais comum mecanismo daqueles que não conseguem justificar seus atos; é essa inversão que possibilita a violência doméstica e é essa prática que faz do Brasil um dos lugares mais perigosos do mundo para a população LGBTI viver”. A nota é assinada por Talitha, Roberto Tardelli, Gustavo de Paiva e Aline de Carvalho Giacon.

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