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QUARENTENA

Em Americana, 54% das denúncias geram notificação em comércios não essenciais

Moradores reclamam de burocracia e impossibilidade de denunciar anonimamente

Por André Rossi

16 jul 2020 às 08:16 • Última atualização 16 jul 2020 às 17:29

Desde o início da quarentena de combate ao novo coronavírus (Covid-19), a Uvisa (Unidade de Vigilância Sanitária) de Americana recebeu 258 denúncias sobre comércios não essenciais em funcionamento. O balanço vai até o dia 7 de julho.

Desse total, 255 foram atendidas e 140 geraram notificação ao proprietário do estabelecimento, o que representa 54,2% das reclamações registradas. Apenas um empresário foi multado, mas o segmento não foi informado.

O caminho para conseguir denunciar a situação irregular é considerado burocrático por americanenses ouvidos pela reportagem. A impossibilidade de apresentar a queixa anonimamente é a principal reclamação.

Uma moradora do Zanaga, que pediu para não ser identificada, tentou denunciar na semana passada uma loja de roupas do bairro que está funcionando de porta fechada. Os clientes chegam, batem e entram ao longo do dia em ritmo intenso, segundo a mulher.

Entretanto, a necessidade de fornecer os dados pessoais fez com que ela desistisse. A moradora conhece uma das funcionárias da loja, e por isso teme ser identificada e prejudicar a amiga, que já se queixou da situação.

“Liguei na Gama e falaram que não estavam aceitando denúncias, que só faziam acompanhamento para a Vigilância Sanitária. Entrei no site [prefeitura] e para denunciar tem que colocar seu e-mail. Como é minha amiga, tenho medo que isso vaze e descubram de algum jeito”, afirmou a moradora.

Já um morador do São Domingos tentou denunciar na semana passada um evento irregular em um clube da região. Porém, não teve o pedido atendido.

Um guarda municipal teria dito que a fiscalização seria realizada com agentes da Uvisa, porém somente na segunda-feira. “Aconteceu aglomeração no sábado e no domingo também. Não estão nem aí”, criticou.

Outro lado. De acordo com a prefeitura, os dados dos denunciantes são importantes porque “existem muitas denúncias que são feitas por comerciantes concorrentes”.

Entretanto, a Uvisa diz que é assegurado o total sigilo do reclamante, não importando a razão da denúncia.

“Em muitos casos os fiscais chegam ao local e não constatam o que foi reclamado. Por essa razão é solicitado a identificação do reclamante, para evitar falsas denúncias”, informou a Uvisa.

A direção da vigilância explicou que os atendimentos são feitos conforme a demanda, mas que a fiscalização prioriza o grau de risco, considerando que não é possível atender a todos as denúncias de imediato. “Porém, todas as queixas são verificadas pelo setor”, garantiu a vigilância.  

Já a PM (Polícia Militar) atua apenas para apoiar e garantir o cumprimento das determinações da Uvisa durante as vistorias.

Errata: a imagem publicada nesta matéria às 8h16 desta quarta-feira (16) foi excluída por não ter relação com o conteúdo informado. O estabelecimento retratado foi vistoriado pela Vigilância Sanitária de Americana no dia de 10 de julho e nenhuma irregularidade foi identificada. O local está de acordo com as normas sanitárias preconizadas e possui alvará de funcionamento como comércio de fim essencial.

Podcast Além da Capa
Totalmente paralisado na região desde o início da quarentena de combate ao novo coronavírus, o setor de eventos ainda está “no escuro” sobre quando as atividades poderão ser retomadas, ainda que de forma parcial. Além da indefinição, uma série de dificuldades surgiram por conta da situação. Nesse episódio, o editor Bruno Moreira conversa com o repórter André Rossi sobre o panorama do segmento em Americana e região.