EDITORIAL: Fomos censurados

Inexplicável a dificuldade de duas entidades entenderem a diferença entre o que é o jornalismo e o que é propaganda eleitoral


A decisão do juiz relator do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) Marcus Elidius Michelli de Almeida, que atendeu ao pedido do diretório do PT em Americana para determinar que o LIBERAL retire de seu portal de notícias reportagem em que narra suposta irregularidade envolvendo deputados e o prefeito Omar Najar (MDB), vai contra o direito à informação.

O partido aponta na ação que o prefeito fez propaganda eleitoral antecipada ao dizer ao público presente em uma inauguração no Hospital Municipal, no dia 23 de abril, que “temos que trabalhar para eleger esse pessoal novamente”. O “pessoal” eram os deputados estaduais Cauê Macris (PSDB) e Chico Sardelli (PV) e o deputado federal Vanderlei Macris (PSDB).

A reportagem do LIBERAL suspeitou de possível irregularidade cometida pelo prefeito e se pautou para avaliar o caso. No dia 24 de abril, o jornal trouxe, em matéria assinada pelo repórter Leon Botão, que o discurso de Omar tinha fortes indícios de ilegalidade eleitoral, apontamento baseado na jurisprudência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e de três especialistas no tema ouvidos e citados na reportagem.

Não por acaso, a reportagem do LIBERAL baseou grande parte da representação do PT na Justiça Eleitoral. Ainda assim, a ação do partido entende que a reportagem que denunciava a ilegalidade também servia como propaganda eleitoral antecipada e convenceu o juiz a retirá-la do ar.

Inexplicável a dificuldade de duas entidades entenderem a diferença entre o que é o jornalismo e o que é propaganda eleitoral. O LIBERAL mostrou a suposta irregularidade, como exige o ofício do jornalismo, mas é absurdamente punido por isso.

É, sim, claríssima a maneira como o Grupo Liberal considera a decisão: censura. Decisão judicial que manda retirar de um site de notícias conteúdo que não seja manifestamente falso é censura, como já decidiu em julgamento o ministro do Supremo Luiz Edson Fachin e como já afirmou outro ministro da Corte, Luís Roberto Barroso.

O LIBERAL cumprirá a determinação temporária, mas batalhará para manter seu único e indissolúvel compromisso: publicar a verdade.

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