‘É pouco, mas ajuda’, diz beneficiária do Bolsa Família

Desempregada há dois anos, moradora de acampamento conta que usa dinheiro para comprar comida e produtos de limpeza


Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal.JPG
Stefany passou a receber o benefício há 5 meses

A vista do pôr do sol no Acampamento Roseli Nunes, em Americana, é de tirar o fôlego. A beleza vista no horizonte talvez seja uma forma de balancear a vida difícil das famílias que vivem nos 167 barracos do espaço, na região do Pós-Represa.

Foi dali que saíram muitos dos nomes que fizeram o Cadastro Único da cidade aumentar em 2018, principalmente na faixa de renda mais baixa, de até R$ 89 per capita, considerada pobreza extrema pelo critério do benefício do Bolsa Família. Se para especialistas a pobreza não se mede apenas por rendimentos, ali tudo é difícil. O posto de saúde mais próximo fica no bairro Antonio Zanaga, a quase dez quilômetros de distância. As casas são construídas com materiais diversos e improvisados, como madeira e lona.

Apesar das dificuldades, Stefany Freitas Lopes, de 22 anos, se comove ao falar da luta por direitos. A moradora do barraco 24 passou a receber ao benefício do Bolsa Família há cinco meses. Ela procurou o Cras (Centro de Referência da Assistência Social), depois de ver vários moradores do acampamento terem acesso à renda.

“Aconselho quem tiver direito procurar saber, se puder ir vá atrás porque é muito importante. É pouco, mas o pouco ajuda muitas famílias aqui”, afirmou a moradora, que recebe R$ 91 por mês por meio do programa federal. “Eu uso pra minha casa, compro produto de limpeza, arroz, óleo, feijão, essas coisas”, explicou.

Desempregada há dois anos, ela enfrenta outro desafio para se recolocar no mercado além da crise. “As pessoas perguntam onde eu moro, a gente fala e se sente ofendido. A gente é discriminada porque mora em barraco de madeira, embaixo de uma lona. Independente da raça, cor, se mora num barraco, numa mansão, todo mundo tem direito de ter uma oportunidade, todo mundo é igual”, disse.

MÃE. A diarista Andrea de Jesus Pereira, de 33 anos, cria os quatro filhos com o dinheiro do Bolsa Família e os recursos que consegue levantar com faxinas. O benefício soma R$ 448, e os bicos que faz enquanto não consegue se recolocar no mercado chegam a R$ 120.

“Sobrevivo com isso e, por incrível que pareça, meus filhos não passam fome. Andam calçados, vestidos, têm teto pra morar, e assim Deus vai abençoando até eu arrumar um emprego. O valor é baixo, mas eu mesma de verdade tenho 33 anos e não tinha visto nada do governo chegar na minha mão, nada de nada”, afirmou Andrea.

No ano passado, 3.753 famílias receberam Bolsa Família em Americana . O montante chegou a R$ 8,6 milhões.

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