Representante de postos se diz vítima em esquema de adulteração de combustível

Motorista do estabelecimento confessou o uso de rastreadores no caminhão para desviar rota e vender parte da gasolina em uma chácara de Americana


O representante de dois postos de combustível em Santa Bárbara d’Oeste que estaria recebendo a gasolina adulterada de um esquema descoberto pela PM (Polícia Militar), na tarde desta terça-feira (18), diz ser vítima da conduta do motorista da rede, que foi preso ontem ao confessar que estava vendendo parte do combustível em um chácara do bairro Monte Verde, em Americana. Duas pessoas acabaram presas, dentre elas o motorista que trabalhava para os postos barbarenses.

Em entrevista ao LIBERAL na manhã desta quarta-feira, ele disse que não sabia do esquema. “Faz oito anos que [o motorista] trabalha com a gente, e eu nunca desconfiei de nada. É difícil nessa altura do campeonato saber o que é verdade e o que é mentira”, contou.

Foto: Guilherme Magnin / O Liberal
Um dos caminhoneiros tinha carregado os quatro tanques com gasolina na Replan

O representante, que pediu para não ser identificado, compareceu à CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Americana para ser ouvido como vítima.

Um estudo foi encomendado pelo estabelecimento para atestar as condições dos 20 mil litros de combustíveis que sofreram adulteração. A carga seria devolvida ao proprietário do posto na tarde desta quarta-feira.

“Não tinha conhecimento [do esquema]. A gente está pagando um laboratório para analisar o combustível. A gente não teve culpa, esses caras estavam pagando dentro da distribuidora para sair sem os lacres, pra você ter ideia da gravidade da situação”, denunciou.

O caso

O esquema de comércio ilegal e adulteração de combustíveis funcionava em uma chácara do bairro Monte Verde, em Americana.

O motorista que trabalhava para o dono dos postos disse que desviou o itinerário para vender parte da gasolina que transportava, sendo que já havia feito isso em outras oportunidades. Afirmou ainda que essa seria a terceira vez no dia que havia passado pelo local para deixar o combustível na chácara.

A cada parada, recebia R$ 200 – o indivíduo estava com R$ 1.150 em dinheiro, dos quais R$ 600 foram recebidos somente nesta quarta-feira. Ele diz que contou com a ajuda de um funcionário da Pé distribuidora, que não colocava o lacre durante após o abastecimento na distribuidora – a “contribuição” custava R$ 100. Por isso, havia a possibilidade do combustível ser retirado durante as vistas à chácara.

Só depois de repassar parte do material e substituí-lo por água é que o lacre era fechado pelo próprio motorista, que retornava ao posto com o combustível adulterado.

Para evitar que os rastreadores flagrassem o desvio na rota entre a distribuidora e o posto de combustível, o motorista utilizou um bloqueador de sinal.

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