Dona Dudu completa 101 anos e tem um sonho

Baiana nascida em Cordeiro, cidade do interior, ultrapassou a barreira dos 100 anos, segue com a vida e a resume numa frase: 'sou muito feliz'


Foto: Marcelo Rocha - O Liberal
Sou muito feliz”, diz Dona Dudu, que completa nesta segunda-feira 101 anos e tinha um sonho sair no jornal

Quando o mundo comemorou o fim da 1ª Guerra Mundial, em 11 de novembro de 1918, Jesuína Rosa do Carmo Silva tinha apenas sete meses. Desde então, muita coisa mudou. A bebê cresceu e nesta segunda-feira (15) completa 101 anos. A baiana nascida em Cordeiro, cidade no interior do Estado, ultrapassou a barreira dos 100 anos, segue com a vida e a resume numa frase. “Sou muito feliz”.

Dudu (o apelido recebeu da mãe) vive numa casa de repouso em Americana. Nós a visitamos na última quarta-feira à tarde. Estava sentada à mesa, comemorando com os demais moradores o aniversário de um deles. A centenária é a mais velha da casa e não demorou para nos receber. Sair em uma matéria no jornal era um desejo seu. E lá estávamos para realizá-lo.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Dudu (o apelido recebeu da mãe) vive numa casa de repouso em Americana.JPG

Ela caminhou até a poltrona na varanda, amparada pela bengala e por uma cuidadora. A dor nas pernas é o seu único incômodo. “Não tomo remédio para nada”. Dona de uma memória de dar inveja, admite nunca ter imaginado que viveria mais de 100 anos. Sua mãe morreu aos 70 e pensava que não iria muito além disso. “Meu prazo já venceu”, diz esboçando um sorrindo e revelando um traço de bom humor.

Dona Dudu é a mais velha de 17 irmãos. Mas só teve um filho. Seus descendentes são uma neta, um neto e dois bisnetos. Dos irmãos, dez já partiram. Entre os sete ainda vivos, dois estão na casa dos 90 anos. Ela não faz ideia do que pode ter colaborado com a sua longevidade, mas dá algumas pistas.

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A senhora de quase 101 anos, garante nunca ter bebido ou fumado na vida

A senhora de quase 101 anos, garante nunca ter bebido ou fumado na vida. Não gosta de açúcar, mas do resto come de tudo. Especialmente verduras. Ela também afirma nunca ter pedido uma noite de sono e diz que na juventude sempre foi muito caseira. “Nunca dancei. Só vivia dentro de casa”.

Casou aos 17 anos e foi ao lado do marido que teve os melhores momentos. Lembra das viagens que faziam juntos, sempre na garupa de uma moto. “A gente vinha de Belo Horizonte para Americana”, conta.

Ela informa que o marido a deixou “cedo”. Ele faleceu com pouco mais de 70 anos, e Dona Dudu seguiu com a vida. Depois de continuar em Belo Horizonte por mais alguns anos, veio de vez para Americana e encontrou seu canto na casa de repouso. Mora no local há dois anos. “Adoro aqui”.

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Dona Dudu é a mais velha de 17 irmãos

Dudu também dá nome ao passarinho que vive no pé de acerola, uma homenagem e demonstração de carinho à moradora centenária que se transformou no “dengo” da casa e que só deixou de responder a uma pergunta durante toda a conversa.

Ao ser questionada sobre o que lhe dá saudade, baixou os olhos, levou as mãos ao rosto e não respondeu. Entendemos que era hora de parar a entrevista e partir para a foto. Ela saiu de cena e voltou produzida, com roupa em cores combinando e batom vermelho de fazer inveja às demais colegas da casa. E assim, vaidosa, fez pose e realizou, aos 101 anos, o desejo de sair no jornal.

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