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VCA 141, DEZ ANOS

Dimensão da tragédia dificultou absolvição de motorista do VCA 141, diz advogado

À época do julgamento, defesa pediu absolvição por meio do perdão judicial, quando consequências do ato são mais graves do que uma pena

Por Marina Zanaki

12 set 2020 às 08:51

A dimensão da tragédia do acidente entre o ônibus da VCA e um trem em 2010 dificultou a absolvição do motorista do coletivo por perdão judicial. A avaliação é do advogado que atuou na defesa de Alonso de Carvalho.

O principal pedido feito pela defesa foi pela absolvição por meio do perdão judicial, quando as consequências para o acusado são piores do que qualquer pena que possa ser aplicada pela Justiça.

O advogado Renan Farah, que atuou na defesa de Alonso, explicou que essa lógica se aplica, por exemplo, em acidentes em que um pai esquece o filho trancado em um carro e a criança morre por asfixia.

O advogado Renan Farah, que defendeu o motorista que causou o acidente do VCA 141 – Foto:

“No caso do Alonso não seria diferente, na minha opinião. Ele sofreu lesões físicas e psicológicas bem traumáticas, mais do que qualquer pena. Tanto que até hoje leva isso com ele e a pena foi cumprida há muito tempo”, argumentou o advogado.

Para o advogado, a dimensão da tragédia – que matou 10 pessoas e deixou outras feridas – dificultou a obtenção do perdão judicial.

“Quando o caso atinge repercussões imensuráveis midiáticas, existe certa necessidade de o Poder Judiciário apresentar uma resposta à sociedade, e isso acaba sendo prejudicial ao que é acusado”, avaliou o advogado.

Alonso de Carvalho foi condenado a quatro anos e seis meses de serviços comunitários. Em primeira instância, ele havia sido condenado a seis anos e nove meses de detenção por homicídio e lesão corporal culposos, mas a defesa recorreu e houve diminuição da pena.

À época do julgamento, famílias de vítimas declararam que não queriam que Alonso fosse preso.

Contexto

A defesa de Alonso argumentou que diversos elementos presentes no local do acidente contribuíram tanto quanto a ação do motorista para a tragédia.

O advogado elencou a falta de cancela na passagem de nível, a longa jornada de trabalho do maquinista, a localização do canceleiro, a qualidade dos equipamentos de rádio utilizados na época, as edificações ao lado do cruzamento, que dificultam a visualização, e a presença de um segundo trem que estava estacionado.

O ônibus VCA 141 após o acidente na linha férrea em Americana, em 8 de setembro de 2010 – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Segundo a defesa, essa composição fez com que o ônibus fosse prensado ao invés de arrastado, ampliando assim a gravidade do acidente.

Foram apresentadas três testemunhas que sustentaram que os sinais sonoros e visual não foram acionados antes de que o ônibus entrasse no cruzamento.

A afirmação corrobora o depoimento do motorista, que afirmou ter ouvido o sinal apenas quando as rodas dianteiras já estavam na passagem de nível. Uma das testemunhas disse que sequer ouviu o sinal ser acionado.

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“Foi um momento de tamanho trauma que certeza absoluta ninguém consegue dar, fica todo mundo em choque. Mas se paira a dúvida sobre o caso, deve beneficiar a defesa sempre”, finalizou o advogado.

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