Dentista é condenado 15 anos depois de assassinato em motel

Rivail Chiarini foi considerado culpado pela morte de Relaine Argona Ferreira, que pensava estar grávida; ele responderá em liberdade pelo crime


Foto: João Colosalle / O Liberal
O dentista Rivail Chiarini durante o julgamento nesta terça-feira

O Tribunal do Júri condenou, nesta terça-feira, em Americana, o dentista Rivail Chiarini, de 67 anos, a 14 anos de prisão em regime fechado pela morte da jovem Relaine Argona Ferreira, de 23 anos, em meados de julho de 2002, em um motel na Praia Azul.

O crime, segundo a acusação, teria sido motivado por uma suposta gravidez da jovem. Rivail, que conseguiu escapar da condenação por ocultação de cadáver, já prescrita, poderá responder em liberdade. A defesa dele disse que vai recorrer.

As investigações apontam que Relaine foi morta por Rivail e por uma segunda pessoa não identificada dentro do motel San Remo, em data imprecisa – tratada no julgamento como “meados de julho de 2002”.
Relaine, que pensava estar grávida, foi morta com facadas no abdômen e teve o corpo enrolado em um lençol atirado no Rio Capivari, a cerca de 60km do motel e próxima a uma área da família de Rivail, segundo o Ministério Público.

Foto: Reprodução
Relaine, que pensava estar grávida, foi morta com facadas no abdômen

O júri, realizado no Fórum de Americana, durou quase 10 horas e foi considerado complexo pela acusação. Defendido por advogados que também são seus familiares, o dentista voltou a negar o assassinato.
A defesa investiu na linha de que não havia motivos para Rivail matar Relaine, já que não haveria uma relação afetiva entre eles. Era sexo em troca de dinheiro, segundo o acusado.

Os advogados do dentista levantaram ainda dúvida sobre se o corpo encontrado nas águas do Rio Capivari, em Rafard, semanas após o crime, era mesmo de Relaine. A situação foi a que gerou mais debate entre as partes.

A defesa de Rivail mostrou aos jurados fotos de corpos em decomposição e sustentou que não havia como um corpo atirado ao rio em meados de julho ter sido encontrado no estado em que foi em 5 de agosto.
Para o Ministério Público, entretanto, uma tatuagem na perna do corpo encontrado no rio seria a mesma de Relaine – na época, o cadáver foi reconhecido a partir da tatuagem pela irmã da jovem, que se dizia sua “mãe de criação”.

No interrogatório, Rivail chorou ao dizer que estava sendo acusado sem provas. Para ele, o caso poderia estar relacionado a uma vingança de traficantes. O dentista foi testemunha de uma prisão por tráfico próximo a seu consultório, que ficava na Avenida Antonio Lobo, região central de Americana.

Na tentativa de desbancar a tese da acusação, testemunhas de defesa negaram ter sabido do crime, sugeriram que a situação teria ocorrido um ano depois e divergiram quanto a manchas de sangue e em relação à frequência de Rivail no motel. “Tudo é ‘ouvi dizer’”, dizia a advogada Ana Paula Chiarini.
A Promotoria levou testemunhas que falavam no sentido de que houve um crime no local e de que havia uma relação entre Rivail e Relaine que justificaria o assassinato. Juntou depoimentos que mostravam que, apesar de negar uma relação afetiva, o dentista a ajudava com aluguéis e com mudança.

Nos 15 anos que decorreram desde o crime, o dentista chegou a entrar na lista de foragidos até ser preso no Ceará em 2015, onde era dentista em uma cidade do interior. Ele negou uma eventual fuga.

O júri de Rivail foi formado por três homens e quatro mulheres, a maioria com idades entre 40 e 60 anos, e acompanhado por cerca de 40 pessoas. “Atendeu plenamente ao critério de justiça”, comentou, ao LIBERAL, o promotor Vanderlei Cesar Honorato, responsável pela acusação no júri. “Os jurados foram criteriosos na análise, a causa era realmente difícil. Está demonstrado que o réu praticou um homicídio duplamente qualificado”.

Ao final do julgamento, o LIBERAL tentou falar com Rivail, mas ele preferiu não comentar. A advogada que o defende disse que iria recorrer.

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