Crime tem versões diferentes para motivação e morte de crianças

Acusação diz que dívida de Robson motivou assassinatos; Celso disse que extorquiria empresário a pedido de Ana Paula


O julgamento desta quinta-feira, além de definir se Celso de Assis permanecerá na prisão ou irá para um sanatório – ele é réu confesso – deverá fixar a motivação para o crime que matou a família Tempesta, ocorrida em janeiro de 2009, no Jardim Santana, em Americana.

A denúncia, oferecida pelo Ministério Público com base na investigação da Polícia Civil, aponta uma dívida de R$ 16 mil de Robson Tempesta com o mecânico Celso Pereira de Assis, réu confesso, como o ponto central dos assassinatos. É por conta disso, inclusive, que ele foi denunciado por homicídio qualificado “por motivo torpe”. Em seu interrogatório, no entanto, o réu apresentou uma versão diferente.

Celso afirmou que mantinha um relacionamento extraconjugal com Ana Paula e que ela teria lhe pedido que extorquisse o marido. Caso contrário, contaria sobre o romance para Fabiane Pinheiro, sua então companheira, que já foi condenada a 24 anos de prisão no processo por participação nos assassinatos.

O mecânico disse ainda que, como não tinha coragem de praticar a extorsão, utilizou vários remédios antes de se reunir com Robson e que atirou na esposa do empresário por acidente. Segundo o réu, antes de morrer, Ana Paula teria lhe pedido “para não deixar que as filhas a vissem assim”.

Foto: Paulo Tibério_O Liberal
Celso Pereira de Assis foi preso em janeiro de 2009, mas será julgado apenas nesta quinta-feira

CRIANÇAS. Acusação e defesa também têm versões diferentes para a morte das crianças. A polícia apurou que Camila e Laura foram mortas na casa onde Celso morava, no bairro Vila Mimosa, em Campinas.

Segundo o relatório, o réu teria colocado uma meia na boca de cada uma delas e asfixiado as duas com fita plástica. Na volta para Americana, ele atirou os corpos em um escoadouro da Rodovia do Açúcar (SP-308), em Elias Fausto.

No caso das meninas, a denúncia é de duplo homicídio qualificado “por meio cruel e com recurso que dificultou a defesa das vítimas”. O MP pediu ainda a adição de um agravante ao crime por entender que, no caso das meninas, os assassinatos foram cometidos “para ocultar outro crime”, já que a mais velha poderia identificá-lo como autor dos disparos que mataram os pais.

Em seu interrogatório, o mecânico afirmou que as meninas estavam vivas quando ele decidiu retornar para Americana para deixá-las com a família. Durante o trajeto, no entanto, ele pegou a SP-308 “por engano”.

Segundo o réu, como elas choravam muito, ele decidiu amarrar as gargantas com abraçadeiras de fio, o que causou as mortes. Ele afirma ter parado o carro, retirado as abraçadeiras e tentado reanimá-las. Como não conseguiu, deixou os corpos em um ponto de ônibus e voltou para casa.

Apesar de ter feito as declarações ao longo do processo, ele não é obrigado a apresentar a mesma versão no julgamento desta quinta. O réu pode, até mesmo, se utilizar do direito de permanecer em silêncio ou de responder apenas as perguntas do seu advogado.

Família relata sofrimento e delegado acredita em pena

Cunhada de Robson, Maria das Graças Mascarenha Rodrigues diz que a família espera a condenação de Celso Pereira de Assis para ter ao menos um pouco de sossego. “Nossa família foi destruída”.

O pai de Robson, José Geraldo Tempesta, morreu em 2016, aos 73 anos Em entrevista ao LIBERAL em janeiro daquele ano, disse que seu maior medo era morrer sem ver a condenação.

Foto: Arquivo / O Liberal
José Geraldo Tempesta morreu em dezembro de 2016, após complicações por um câncer

Graça diz que seu marido, irmão de Robson, desenvolveu depressão, e que sua sogra também tem problemas de saúde. “Todo mundo sofre”. Datas comemorativas não são festejadas. Esta semana, a filha dela, de 17 anos, ficou abalada porque uma professora perguntou sobre o julgamento. A menina era muito ligada a Camila, a filha do casal.

O delegado Eduardo Navarro, que investigou o caso, acredita que Celso será condenado e diz não ter dúvidas de que o réu era consciente de seus atos na época. “Ele tinha discernimento total. Acredito que ele vai ser condenado como imputável na época que ele praticou a crime.”

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora

Receba nossa newsletter!