CPFL deve reduzir área de macrófitas a 80 hectares até 2020

Volume é considerado como ideal para equilíbrio na Represa de Salto Grande, em Americana, na visão da companhia; Cetesb precisa aprovar o planejamento


A CPFL Renováveis estima que até o 1º semestre de 2020, a área ocupada por macrófitas na Represa do Salto Grande, em Americana, seja reduzida para 80 hectares, volume que a companhia julga ideal para manter o equilíbrio ambiental. A quantidade precisa ser aprovada pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Atualmente, o volume ocupado é de 204 hectares, uma redução de 25% em relação aos 275 que haviam em agosto de 2018. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira na Câmara de Americana durante a segunda reunião para discutir a despoluição do Salto Grande.

O LIBERAL quer saber sua opinião sobre o nosso portal. Acesse o questionário online e nos ajude a melhorar. CLIQUE AQUI PARA RESPONDER A PESQUISA.

O gerente de Meio Ambiente da CPFL Renováveis, Daniel Daibert, informou que protocolou essa semana na Cetesb um estudo sobre o plano de manejo das macrófitas. O trabalho foi realizado ao longo do ano passado, período em que a empresa interrompeu a retirada mecânica dos aguapés.
Entretanto, em 6 de dezembro do ano passado, a CPFL retomou a retirada manual. Na época, o volume acumulado era de 275 hectares, que foram reduzidos para 204 na última medição, em 30 de março, o equivalente a 71 campos de futebol. A média é de quase quatro mil toneladas de plantas removidas por mês.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Promotor criticou a interrupção durante um ano da retirada mecânica das macrófitas por parte da concessionária

A expectativa é que até o final do ano o volume esteja entre 110 e 140 hectares. O objetivo é atingir 80 hectares no final do primeiro semestre de 2020 e manter o volume nessa faixa. Daibert ressaltou que o objetivo não é erradicar e sim controlar as plantas, já que elas são importantes do ponto de vista ambiental.

“Os 80 hectares estão apresentados como uma proposta no plano. Exatamente para garantir esse equilíbrio. Não podemos nos esquecer que a macrófita não é o problema ambiental em si, ela tem papel ambiental de fundamental importância que é a remoção desses nutrientes do reservatório”, disse o gerente da CPFL.

O plano será analisado pela Cetesb, que já aprovou outra proposta da empresa: o vertimento, ou despejo dos aguapés pela comporta da represa. A medida foi autorizada por dois meses e apenas no período de chuvas na área.

A decisão vai na direção oposta da recomendação do promotor de Justiça de Americana, Ivan Carneiro Castanheiro. Ele ressaltou que, caso isso seja feito, deve haver monitoramento online constante, já que o próprio DAE (Departamento de Água e Esgoto) de Americana apontou preocupação com a possibilidade de a captação ser prejudicada.

Parada

O promotor criticou ainda a interrupção durante um ano da retirada mecânica por parte da CPFL. “Pararam para fazer estudo? Eu discordo disso. Qual foi a área que eles isolaram? Do lado do barco escola, alguns metros. Podiam perfeitamente ter continuado a investir e não chegaria aos atuais 204 hectares. Reduziu, mas ela [macrófita] tem um crescimento populacional de 5%. Não é bem assim. Não vai só reduzir, ela vai voltar a crescer”, afirmou Ivan.

Autoridades se ‘alfinetam’ em encontro

O promotor de Justiça de Americana, Ivan Carneiro Castanheiro, está incomodado com os adiamentos da Cetesb para concluir o estudo referente a presença de carga orgânica por trechos do Rio Atibaia. O objetivo é identificar os municípios que mais poluem e definir os níveis adequados de tratamento.

Isso permitirá, segundo o promotor, que a Cetesb seja mais rigorosa nos próximos licenciamentos das estações de tratamento de esgoto. A previsão inicial era final de 2018, mas só deve ser concluído “ao longo de 2019”, completa.

“Se a Cetesb não fizer isso por iniciativa própria ao renovar os licenciamentos das estações de tratamento de esgoto, aí sim o Ministério Público vai ter argumento para propor uma ação (civil). Porque hoje eu não sei nem quais municípios são esses [que poluem mais]”, apontou Castanheiro.
A supervisora técnica da Cetesb, Carolina Alves Beraldi, afirmou que o levantamento está sendo feito com todos os municípios e justificou que o trabalho demanda tempo já que, por vezes, eles recebem “metodologias falhas” que necessitam de revisão.

No início da reunião, o prefeito de Americana Omar Najar (MDB) criticou o Ministério Público por não ter enviado representantes. Ivan chegou cinco minutos depois.

A revolta do prefeito se dá pelo fato de que, novamente, nenhuma das cidades que contribuem para a poluição do Rio Atibaia terem aparecido, com exceção de Itatiba e Nova Odessa. O emedebista entende que o MP precisa “tomar peito” e cobras os municípios.

O promotor disse que o cenário foi agravado por anos de omissão das cidades, incluindo Americana, e que agora se faz necessária a articulação política dos prefeitos através de deputados e do governador do Estado.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora

Receba nossa newsletter!