CPFL descarta liberação de aguapé via comporta de represa

Medida não será tomada ao menos em 2019, de acordo com a empresa; situação começou a chamar atenção no ano passado


A CPFL Renováveis descartou liberar aguapés da represa do Salto Grande por meio da abertura da comporta de superfície neste ano. Após muita polêmica e pressão do Ministério Público contra a medida, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) autorizou a operação em março.

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Porém, a CPFL informou que não realizará o procedimento em 2019, “tendo em vista que concentrará todos os seus esforços para redução da área ocupada pelas plantas aquáticas no reservatório de Salto Grande através da remoção mecanizada”.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Prefeito Omar Najar (MDB) disse que captação vem sendo prejudicada por excesso de aguapés

Segundo a prefeitura, houve um entendimento do governo municipal, CPFL e Ministério Público de que o aumento da retirada mecanizada (por meio de máquinas, o que é feito hoje) seria uma forma mais segura de reduzir a quantidade de plantas aquáticas na represa.

“Nos últimos dias foi dobrada a capacidade de retirada mecanizada diária, atingindo a marca equivalente à retirada de 350 caminhões diariamente”, informou a assessoria da prefeitura.

A situação dos aguapés na represa começou a chamar atenção no ano passado, quando o excesso das plantas aquáticas cobriu de verde 24% da extensão do reservatório. A CPFL, que administra a represa e mantém uma hidrelétrica no local, tinha interrompido a coleta mecanizada para estudar novas formas de lidar com o problema. Então, em dezembro do ano passado, essa remoção mecânica foi retomada, com máquinas.

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Segundo a assessoria da CPFL, desde então já foram retirados cerca de 312 hectares de plantas aquáticas do reservatório, o equivalente a 354 campos de futebol. O aguapé é importante, mas a eutrofização (superpopulação da planta) impede a oxigenação do ambiente aquático e piora a qualidade da água.

A autorização da Cetesb para o vertimento vale para o período chuvoso e pode ser feita por 60 dias a partir da data de início. A ideia era liberar os aguapés pela comporta no Rio Piracicaba. O temor do MP é que, com esse procedimento, as plantas aquáticas se acumulassem em outros pontos do rio. A autorização da Cetesb, porém, previa que a CPFL mantivesse pontos de monitoramento no curso d’água.

Em entrevista na semana passada à Rádio Azul, o prefeito Omar Najar (MDB) disse que o DAE estava com problemas na captação por causa do excesso de aguapés perto da estação. Questionado desde o dia 12 o DAE não respondeu como prejudica a ação.

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