Costureira espera implante há mais de 40 dias

Maria Regina de Paula Melo, de 62 anos, está internada no Hospital Municipal de Americana


A costureira Maria Regina de Paula Melo, de 62 anos, aguarda desde o início de novembro no Hospital Municipal de Americana por um CDI (Cardiodesfibrilador Implantável), uma espécie de marca-passo que regula os batimentos cardíacos.

A Justiça concedeu no dia 19 de novembro um pedido de liminar determinando a implantação do aparelho, mas até a noite desta segunda-feira ela ainda aguardava a realização do procedimento.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Antonio, marido da costureira, mostra atestado que diz que esposa pode ter morte súbita

O motorista Antonio de Melo, de 63 anos, marido da costureira, disse que está desesperado com o diagnóstico e a espera. Ele contou que a esposa faz tratamento contra arritmia há cinco anos, mas que no início do mês passado passou mal e que chegou a 180 batimentos por minuto.

Maria Regina foi levada para o HM e desde então aguarda o CDI. O aparelho pode custar entre R$ 30 mil e R$ 60 mil. Além disso, a cirurgia para implantação custa entre R$ 2 mil e R$ 4,5 mil.

“Ela está estável, dia sim dia não toma soro para manter veia ativa, e aguardando na fila. Tenho um atestado médico que diz que ela pode ter morte súbita a qualquer momento, aí que está a minha preocupação. Eu estou desesperado, com medo de perder minha velhinha, tenho 40 anos de casado”, desabafou o motorista nesta segunda.

A família entrou na Justiça contra a Secretaria de Saúde de Americana para obrigar a implantação do CDI. No processo, o município argumentou que trata-se de procedimento de alta complexidade e que a responsabilidade é do Estado. A Justiça concedeu o pedido de liminar, mas determinou que a Secretaria Estadual de Saúde fosse incluída na ação.

A pasta estadual, ao ser intimida da decisão, alegou que não é legítimo conceder “salvo conduto” para que a paciente fuja do modo de atendimento da rede pública, “em detrimento de outras pessoas que também aguardam na fila de espera”.

Ao LIBERAL, a Secretaria Estadual de Saúde disse que a paciente aguarda vaga por meio da Cross (Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde) e garantiu que será viabilizada a transferência para um serviço de referência, mas não informou quando isso vai acontecer.

“Cabe deixar claro que apenas a disponibilidade da vaga para atender a paciente não basta. É preciso que ela esteja em condições clínicas estáveis e livre de infecções”.

A Prefeitura de Americana disse que a paciente segue internada sob cuidados de cardiologista. “Ressalta-se que, mesmo o HM tendo informado sobre a urgência para o procedimento, até a presente data não houve manifestação favorável por parte do Estado”, finalizou a Secretaria de Saúde.

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