Córrego do Parque tem cenário ideal para jacaré

Tancredi acredita que ele saiu do recinto após ser arrastado para o lago, escapando por um vão na tela, que é projetada para animais adultos


O jacaré visto na noite de quarta-feira andando pela Avenida Brasil, em Americana, vive no Córrego do Parque há oito meses e encontrou ali as condições ideais para sua sobrevivência: água, comida e abrigo. Por conta disso, ele quase não sai para a superfície, o que dificulta sua captura. Seu “passeio” na calçada da avenida anteontem está ligado, possivelmente, a uma exploração do território.

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG
Região do Córrego do Parque, na altura do Parque Ecológico de Americana, onde o jacaré foi visto na noite de quarta

As informações são do diretor do Parque Ecológico Cid Almeida Franco, João Carlos Tancredi. Ele contou que o zoológico soube que o animal estava vivendo no córrego em abril e desde então vem monitorando a situação, atento a uma oportunidade de recapturá-lo.

Na noite de quarta, o animal saiu pela primeira vez para fora do córrego e assustou quem passava pela avenida. Foram acionados Corpo de Bombeiros, GPA (Grupo de Proteção Ambiental) da Gama (Guarda Municipal de Americana), Secretaria de Meio Ambiente e Defesa Civil, mas o jacaré escapou.

Nesta quinta-feira, nova tentativa: o animal colocou a cabeça para fora e uma equipe do parque tentou pegá-lo. Um equipamento para imobilizá-lo chegou a 20 centímetros de distância, mas, assustado, ele se escondeu novamente na água.

Tancredi disse que é provável que o animal faça parte de uma ninhada que nasceu no parque em 2015. Contudo, a confirmação oficial de que o jacaré pertence ao zoológico só pode ser feita após exame que constate a presença do microchip no animal.

“Não tem o porquê ele sair de lá, tem peixes para comer, água e refúgio, já que o mato está alto ali. Tentei entrar na água, que bate na altura do peito. Não tem como você ficar circulando para procurar, você não vê onde ele está”, explicou.

CAPTURA. O Parque Ecológico possui três equipamentos para laçar o pescoço do animal e imobilizá-lo – chamados puçá, laço e cambão. “Ele vai espernear, se jogar de um lado para o outro, mas você trava. Passa uma fita na boca e acabou”, detalhou Tancredi.

O diretor acredita que o animal saiu do recinto dos jacarés após ser arrastado para o lago, escapando por um vão na tela, que é projetada para animais adultos. Dali, ele deve ter sido puxado por uma enxurrada para o córrego da Avenida Brasil.

O jacaré fica restrito ao trecho do córrego exatamente ao lado do Parque Ecológico e não se movimenta pela água ao longo da avenida. Isso pode acontecer apenas se ele for arrastado por alguma correnteza em dias de chuva, de acordo com o diretor.

Segundo a Secretaria de Cultura e Turismo de Americana, quem avistar o jacaré nas imediações deve acionar o zoológico pelo telefone (19) 3406-2075. Tancredi ressaltou que não há perigo para a população que costuma fazer caminhadas pela avenida, mas alertou que não se deve chegar perto do animal caso ele seja avistado.

Já aconteceu antes
Uma anta chegou a ser recapturada na Avenida Cillos, enquanto um veado foi achado na Rodovia Luiz de Queiroz (SP-304) – os dois mamíferos fugiram após chuvas derrubarem os recintos. Um pavão também foi encontrado na Avenida Iacanga após voar por cima da tela de proteção.

Pescador ignora risco e mantém rotina

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal (1)
Pescadores que frequentam o local não se intimidaram com a aparição do jacaré

A aparição de um jacaré na Avenida Brasil não mudou a rotina de pescadores que tentam a sorte no Córrego do Parque. Quatro deles estavam no local na tarde desta quinta-feira.

“Jacaré? Uns caras passaram aí, falaram de jacaré, mas não estava nem sabendo”, respondeu Mário Augusto Angelo ao ser questionado se sabia do caso, enquanto pescava no degrau mais próximo da água. Ao ter ciência da notícia, não mudou a expressão nem o lugar onde estava. “Jacaré? Jacaré não vem aqui. Não tem perigo”, afirmou Angelo, que disse ter medo mesmo é de sucuri.

Costume. Sidnei Constantino, que pesca sempre no local, disse que está acostumado a ver o bicho. Acompanhou até seu desenvolvimento. “Ele era menor, agora está com uma ‘cabeçona’.” Constantino contou que o avistou pela última vez ainda esta semana. “Estava bem aqui”, disse, enquanto apontava para um local a cerca de dez metros de onde falava com a reportagem.

Edemildes Cassia Fontana parou para olhar o córrego durante sua caminhada, na expectativa de ver o animal após saber da notícia por um vídeo publicado no Facebook. Ao lado da grade que separa a calçada do córrego, contou que adora animais. Os pescadores relataram que muita gente fez o mesmo e parou na calçada para tentar avistar o jacaré, que, ontem, não deu as caras por muito tempo.

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