Coordenadora do Mamãe Nenê defende suporte à amamentação

Programa conta com odontopediatra, enfermeira, fonoaudióloga, nutricionista, psicóloga e assistente social


Alimento, vínculo, vida, saúde e amor. As mães que participam do programa municipal Mamãe Nenê, da Secretaria de Saúde de Americana, foram convidadas a descrever com uma palavra o que a amamentação significa para elas. A atividade foi proposta dentro da programação do Agosto Dourado, que conscientiza e estimula o aleitamento materno.

Coordenadora do programa, Sandra Regina Possobon lembrou mais uma palavra que é essencial para que a mãe se sinta segura para amamentar: apoio. Seja do marido, da família, amigos ou da sociedade, é preciso que haja um reconhecimento da importância desse primeiro alimento. É necessário oferecer todo o suporte às mães para que elas consigam amamentar, prática essencial para o desenvolvimento das crianças.

Ouça a entrevista:

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O programa Mamãe Nenê conta com odontopediatra, enfermeira, fonoaudióloga, nutricionista, psicóloga e assistente social. Essas seis profissionais realizam um trabalho de orientação e acompanhamento desde o nascimento dos bebês até que completem quatro anos. O serviço é oferecido na UBS (Unidade Básica de Saúde) Cillos.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal.JPG
Coordena o programa Mamãe Nenê, da Prefeitura de Americana

Qual o motivo do Agosto Dourado?

Existe em 170 países a comemoração na primeira semana de agosto da semana mundial de aleitamento materno. Vários países se juntam para chamar a atenção para importância do aleitamento materno. O leite materno é considerado padrão ouro, por isso aqui no Brasil foi instituído o Agosto Dourado, por conta de valorizar a importância do leite materno. As pesquisas comprovam que tem toda a parte de imunização. Criança que nasce sem nenhuma defesa começa recebendo essas “vacinas” via leite materno, começa a estimular seu sistema imunológico, que vai estar pronto a partir do sexto mês. A partir daí ela começa a produzir suas defesas e aí começa a introduzir outros alimentos. OMS (Organização Mundial da Saúde) e Ministério da Saúde preconizam até o sexto mês aleitamento materno exclusivo, nem chá nem água, por saber que vai trazer imunidade e nutrientes para que criança se desenvolva, aporte calórico para crescer e ter desenvolvimento saudável. Países de condição de vida muito pior, sem saneamento, isso é uma grande proteção para as crianças, a gente sabe que é um fator que diminui mortalidade infantil.

Quais os desafios para as mães amamentarem?

O grande desafio é primeiro empoderar a mulher que ela é capaz de amamentar. Criaram-se muitos mitos em cima de leite fraco, que não é suficiente para criança ter um bom desenvolvimento. Hoje tem uma variedade de opções para suprir essa necessidade da criança, mas a gente sabe que por melhor que sejam as fórmulas – e que bom que existem porque algumas crianças vão precisar – elas não se equiparam com o leite materno, não terão esse fator de imunidade. A alimentação do ser humano tem que ser espécie/específico, ou seja, da mãe para o seu bebê. Hoje a gente não favorece a amamentação cruzada porque sabe que pode ser uma via de transmissão de infecções. O leite materno é tão bonito que muda conforme a idade do bebê, o leite da mãe de um recém-nascido é diferente de mãe de um bebê de um ano, dois. Vai se transformando para atender a necessidade das crianças, é mágico, a natureza é linda. Os desafios para as mulheres são também que teve que ir para o mercado de trabalho. Preconiza-se preconiza seis meses de aleitamento exclusivo, mas no Brasil a licença maternidade é de quatro meses. Como manter esse aleitamento materno? É possível, mas tem que orientar a ordenha. Avançamos muito aqui em Americana porque fizemos parceria com Secretaria de Educação. Hoje as creches recebem esse leite materno. Se a mãe pode ir na creche ela vai, senão ela pode levar o leite e vai ser dado para sua criança.

Qual a temática desse ano do Agosto Dourado?

A rede de apoio é todo mundo que está muito próximo dessa mulher, seja o companheiro, sejam os avós, seja a comunidade ali, família que convive muito próximo dela. Essas pessoas têm que estar seguras que a amamentação é a melhor coisa para o bebê. Essas pessoas têm que cuidar dessa mãe, porque essa mãe tem que cuidar do bebê. Quando nasce bebê todo mundo quer ficar com ela, mas bebê quer ficar com a mãe. A gente sabe hoje por pesquisas que existe uma fase chamada exterogestação. Teve nove meses de gestação protegido pelo corpo da mamãe, ele nasceu, mas continua num processo de gestação. Ele ainda não sabe que nasceu, que é separado daquela mãe, ele ainda está em processo de descobertas e amadurecimento físico e emocional. Quem é o porto seguro é a mãe, o batimento cardíaco, a voz que ele ouviu por nove meses. Isso traz uma tranquilidade, um conforto muito grande. Quem puder fazer comida para ela, carregar o bebê depois que amamentou, dar todo o suporte que a mãe precisa, isso vai favorecer com que a mãe consiga amamentar mais tempo, porque processo do aleitamento materno não é fácil, é exaustivo. Os primeiros 40 dias, que antes se guardava quarentena, é o período para mãe e bebê se conhecerem, é o período de namoro entre mãe e bebê. A rede de apoio é empoderar família e sociedade para que pessoas possam dar suporte para ela amamentar por mais tempo, o que vai garantir mais saúde para criança.

Quais orientações para as mães que estão amamentando em relação à alimentação?

A única restrição é a bebida alcoólica, tabagismo e uso de drogas, substâncias psicoativas, porque vai passar para o leite da criança. Em relação a alimentos pode comer de tudo. A gente fala que tem que ter bom senso, tudo que for em exagero pode trazer algum transtorno, seja para mãe ou para a criança, e ir observando. Alguns alimentos que causam mal-estar nela, como feijão, podem dar gases, cólica, ela tem que observar. Se ela gosta e acontece de ter esse desconforto, então que ela ou diminua a quantidade ou evite. Um pouquinho sempre é possível, e vale para tudo.

Amamentação passa também pelo aspecto afetivo?

O bebê continua se desenvolvendo fora do útero e reconhece essa mãe, e esse relacionamento vai fortalecendo também o desenvolvimento da criança, a proximidade. Além de todos os cuidados básicos – alimentação, banho, troca de fralda, também precisa do tato. Acalentar a criança é muito importante para o desenvolvimento emocional e físico dela. Nunca desenvolve uma parte só. Antigamente falava “deixa o bebê chorar pra aprender”, hoje a gente sabe que não faz bem, choro já é sinal de estresse para o bebê e para a mãe. Acalentar ajuda no desenvolvimento da criança, ela sabe com quem pode contar. Ela cresce se sentindo querida e amada, por isso é importante trazer a criança para esse colo.

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