Cooperativa que incorporou Sicoob de Americana acusa ex-diretores de fraude

Em ação, Unicentro diz ter encontrado indícios de crimes contra sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha no Sicoob de Americana


A cooperativa Sicoob Unicentro Brasileira, de Goiânia (GO), que incorporou no início deste ano a Sicoob Unimais Bandeirante, de Americana, afirmou em um processo judicial que encontrou, em contratos celebrados pela antiga diretoria, indícios de crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A defesa dos ex-dirigentes classificou a manifestação como inverídica, irresponsável e desprezível.

A afirmação foi feita em uma ação da 4ª Vara Cível de Americana que discute a legalidade de uma operação de crédito. Como argumento de defesa, a Unicentro declara que, antes da incorporação, analisou as escritas contábeis da Unimais e concluiu que os prejuízos financeiros foram provocados pela crise econômica.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Cooperativa Sicoob Unicentro Brasileira incorporou no início do ano a Sicoob Unimais Bandeirante, de Americana

No entanto, segundo os advogados da cooperativa, depois de efetivada a incorporação, ela teve acesso a documentos internos da incorporada, “os quais apontaram para a existência de inúmeros contratos com robustos indícios de fraude”.

“Há fortes indícios de crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, materializados através de contratos fraudulentos para desviar dinheiro dos associados da cooperativa incorporada, sendo estes os principais prejudicados com os desvios promovidos por aqueles eleitos para representar seus interesses”, diz o documento da Unicentro a que o LIBERAL teve acesso.

A manifestação cita, ainda, investigações em andamento no Ministério Público Federal. Procurada, a assessoria de imprensa do órgão informou que há uma “notícia de fato”, sobre o caso, um procedimento extrajudicial anterior ao inquérito, que pode ou não se tornar uma ação penal.

Nenhum dirigente da Unicentro quis dar entrevista para falar sobre as acusações. Em nota, sua assessoria de imprensa declarou que elas estão baseadas em “um relatório de auditoria em contratos firmados entre a Unimais Bandeirante e fornecedores de serviços, e que ainda não são conclusivos visto que a investigação está em curso”.

A Sicoob Confederação, uma espécie de terceira instância desse sistema de cooperativas de crédito, declarou que o processo de auditoria sobre a atuação dos gestores está em curso e a cargo do Banco Central do Brasil e do Ministério Público Federal, que são as entidades responsáveis por apurar qualquer desvio de conduta dos ex-administradores.

Advogado fala em ‘ilações’ sem provas

O LIBERAL procurou o médico Armando Lazzaris Fornari, que presidia o conselho de administração da Unimais Bandeirante, em Americana, até a incorporação. Ele indicou o advogado Homero Fornari para falar em nome dos ex-dirigentes da cooperativa sobre as acusações da Unicentro Brasileira.

O defensor afirmou que o relatório de auditoria elaborado pela Sicoob Confederação não apontou nenhuma irregularidade nas escrituras de permuta, pelas quais foram cedidas cédulas de crédito em contrapartida ao recebimento de imóveis.

Sobre as alegações firmadas pelos advogados da incorporadora sobre a existência de crimes cometidos pela antiga diretoria, ele as classificou como “ilações, sem qualquer comprovação”.

“Não há qualquer decisão emitida pelas autoridades legais a respeito da existência de práticas ilícitas na administração da Sicoob Bandeirante. Diante disso, refutamos com veemência a manifestação dos advogados da Unicentro Brasileiro por serem absolutamente inverídicas, irresponsáveis e despiciendas para o desfecho do processo em questão”, concluiu.

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