Controle químico contra escorpiões requer cuidados

Francisco Zorzenon, pesquisador da área de pragas urbanas, diz os venenos precisam ser aplicados por técnicos especializados


Alvo de polêmica nos últimos meses em Americana e em outros municípios com alto índice de acidentes com escorpiões, o controle químico para combate direto ao animal é defendido por pesquisadores da área, mas ainda não recomendado pelo Ministério da Saúde, que alega que não há comprovação da eficácia.

Foto: Ricardo Rocha_CMSP
Metodologia de aplicação do controle químico é fundamental

O pesquisador Francisco José Zorzenon, do IB (Instituto Biológico), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, está no primeiro time e garante que os venenos contra escorpião funcionam, mas diz que é necessário cuidado na aplicação.

A situação é crítica em Americana. Somente este ano foram registrados 447 acidentes com escorpiões. Foram 409 casos no ano passado e 339 em 2016. Com a crescente dos casos, aumentou também a cobrança da população em relação a providências do poder público. Até um abaixo-assinado chegou a ser lançado na Internet, reunindo cerca de 20 mil assinaturas, pedindo a aplicação do controle químico.

O controle químico é defendido localmente pelo médico veterinário do PVCE (Programa de Vigilância e Controle de Carrapatos e Escorpiões) José Brites Neto, que elaborou projeto de aplicação de veneno voltado aos escorpiões há oito anos. Seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde, a prefeitura, por sua vez, aplica o chamado controle mecânico, com a captura dos animais, já que não é consenso na administração que o controle químico funcione.

De acordo com o pesquisador Francisco José Zorzenon, os venenos contra escorpiões são sim eficazes, inclusive porque são registrados no Ministério da Saúde, mas precisam ser aplicados por técnicos especializados.

“Os produtos são efetivos, sim. São produtos que necessariamente não tenham efeito repelente, que possam desalojar o escorpião. Mas o grande problema é a dosagem que é utilizada, que tem que ser seguida à risca. A metodologia de aplicação é fundamental. Não adiante ter um produto fantástico, maravilhoso, se não fizer a aplicação no local e no momento correto, de maneira adequada, com a dose correta”, explicou o pesquisador da área de pragas urbanas.

Ele explicou que os produtos devem ser aplicados por técnicos da prefeitura ou por empresa terceirizada. A população não pode ter acesso a esses venenos. “É algo que envolve custo para o município, mas envolve além do dinheiro, a vontade. Se esse animal for tratado como praga emergencial, a prefeitura precisará fazer o controle, normalmente o controle é custoso, os produtos são caros, as doses são altas, e as aplicações precisam ser feitas em frestas, bueiros, ou até de dentro pra fora, partindo das casas para a rede”, sugeriu Zorzenon.

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