Conselhos abrem apuração sobre atendimento no PA Zanaga

Recepcionista afirma ao LIBERAL que precisou, em mais de uma ocasião, avaliar o estado de pacientes que procuravam pela unidade de saúde


O Cremesp (Conselho Regional de Medicina) e o Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem) abriram sindicâncias para apurar a situação relatada pela recepcionista Amanda Martins de Castro sobre atendimentos no PA (Pronto Atendimento) do Antonio Zanaga, em Americana. Ela disse à reportagem do LIBERAL que precisou avaliar o risco de pacientes que procuraram a unidade nas ocasiões em que havia apenas um médico e este estava atendendo somente urgência e emergência.

A recepcionista afirmou que recebeu ordens para não abrir a ficha de pacientes nessas ocasiões, a não ser que fossem casos graves e com risco de morte. Assim, os pacientes só teriam passado com os enfermeiros para a triagem após avaliação da recepção.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Cartaz afixado na unidade mostra como funciona o atendimento no PA Zanaga

O Cremesp disse que abriu a sindicância “a partir das denúncias veiculadas pela imprensa para apurar se houve indícios de má conduta profissional. Os trabalhos da sindicância permanecem sob sigilo legal e garantirão a ampla manifestação das partes”.

O Coren explicou que “são apuradas todas as circunstâncias do fato que pode colocar a assistência em risco. Dependendo da situação, podem sim ser acionadas outras entidades competentes – secretaria de Saúde, prefeitura, Ministério Público, tudo vai depender do andamento da apuração”, afirmou. “O Coren fiscaliza o exercício profissional da enfermagem, ou seja, tudo que está relacionado à devida execução e tudo que pode interferir na qualidade da assistência”.

O Ministério da Saúde determina que os atendimentos em prontos-socorros sejam realizados levando em conta a avaliação do estado do paciente. A prioridade é definida com base no sistema de classificação de risco, que utiliza cores para apontar a gravidade e urgência de cada paciente. A pasta federal indica que o procedimento seja realizado por profissionais com ensino superior na área da saúde, o que não é o caso de recepcionistas.

Os conselhos instauram sindicâncias a partir do momento em que tomam conhecimento de supostas irregularidades. A instauração não significa que os órgãos encontraram irregularidades, mas sim que vão apurar a situação com base nas suspeitas levantadas.

A Prefeitura de Americana alegou que a presença de um médico sozinho no plantão é pontual e que nesse caso é priorizada urgência e emergência, mas garantiu que nenhum paciente é dispensado. O município negou que tenha havido qualquer ordem para impedir a abertura de fichas nessas ocasiões e também que qualquer recepcionista tenha avaliado o risco de algum paciente.

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