Com epidemia de dengue, Americana pode ficar sem inseticida

Produto fornecido pelo Ministério da Saúde está com entregas atrasadas e município possui 'estoque mínimo' para realização dos trabalhos neste sábado


Fornecido pelo Ministério da Saúde, o inseticida de combate ao mosquito Aedes aegypti está com as entregas em atraso no Estado de São Paulo. Americana, que atualmente vive uma epidemia da doença, com 1.357 casos confirmados e cinco mortes suspeitas, possui um “estoque mínimo” suficiente para nebulizar até este sábado.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, “a falta do inseticida abrange toda a região, visto que todos recebem o produto de forma semelhante. Na segunda-feira, o programa terá uma posição do órgão estadual quanto ao período provável de reabastecimento”.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Foram nebulizados 14 bairros de Americana até o momento e trabalho não deve acontecer em todo município

A situação tem preocupado moradores. A autônoma Fabiana Spacassassi Vargas, de 36 anos, disse ao LIBERAL que questionou a prefeitura sobre quando a nebulização passaria no bairro onde mora, a Vila Dainese, que tem 19 casos, segundo a prefeitura. Contudo, foi informada de que não há previsão.

“Me disseram que acabou o veneno e não vão comprar mais. Eu peguei [dengue], minha filha pegou, na minha rua várias pessoas pegaram, na rua de trás também”, reclamou.

Até agora, foram nebulizados 14 bairros em Americana. A medida, porém, não deve ser feita em toda a cidade. Segundo a prefeitura, a ação é realizada “de acordo com os dados epidemiológicos de momento”. Os bairros com mais casos são Zanaga (93), São Jerônimo (44) e Nova Carioba (42).

Proprietário da Sime Prag do Brasil, empresa contratada pela prefeitura de Americana para combate ao mosquito, Danilo Felipe Franco explicou que diariamente os funcionários abastecem os nebulizadores com inseticida na Secretaria da Saúde e que não há nenhum problema de abastecimento.

“Estamos nebulizando a todo o vapor e a gente tem uma remessa até semana que vem, até lá pela quinta-feira”, garantiu.

REGIÃO

Em Sumaré, a prefeitura informou que o estoque de inseticida está baixo e a previsão é que, na próxima semana, seja zerado. A Prefeitura de Nova Odessa afirmou não possuir estoque e disse que os pedidos feitos para o governo estadual até a semana passada foram enviados normalmente. Santa Bárbara d’Oeste e Hortolândia também informaram ter o inseticida.

Ao LIBERAL, a Secretaria Estadual de Saúde informou que existe um atraso “geral” na entrega dos inseticidas por parte do Ministério da Saúde. A pasta foi questionada sobre desde quando ocorre esse atraso, mas respondeu que não tinha essa informação.

O Ministério da Saúde foi procurado, mas não se manifestou. Líder no número de casos no país, a cidade de Bauru (a 230 quilômetros de Americana) chegou a suspender a nebulização por falta de inseticida em abril.

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