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ECONOMIA

Com dívida de R$ 61 milhões, Nardini pede recuperação judicial

Em meio há centenas de processos, empresa tenta sanar finanças e evitar falência

Por João Colosalle / André Rossi

30 out 2020 às 08:02 • Última atualização 30 out 2020 às 08:03

A Indústrias Nardini, tradicional fábrica de máquinas de Americana, ingressou com um pedido de recuperação judicial. Documentos juntados ao processo, ao qual o LIBERAL teve acesso, apontam uma dívida de R$ 61 milhões com credores, entre pessoas físicas e jurídicas.

A situação financeira e administrativa da empresa é alvo há anos de discussão judicial. Nos fóruns fiscais, cíveis e trabalhistas, há centenas de processos contra a Nardini.

Há acusação também de práticas irregulares na administração da empresa, o que envolveria, por exemplo, a criação de um grupo econômico fictício para manter as contas da indústria livre de bloqueios e fiscalizações enquanto o capital gira por firmas parceiras.

Em março, o LIBERAL revelou uma ação do Ministério Público do Trabalho em Campinas que pede uma indenização de R$ 10 milhões para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas por danos morais coletivos e prática de dumping social (descumprir obrigações trabalhistas com a intenção de aumentar os lucros).

O pedido da Procuradoria incluía, ainda, uma intervenção na empresa, que foi inicialmente negada. O caso ainda está em trâmite.

O pedido de recuperação judicial foi distribuído na 1ª Vara Cível de Americana no dia 21 de outubro. A medida é uma tentativa de se tentar viabilizar um plano para sanear as finanças da empresa e evitar a falência total. Ainda não houve decisão.

Nos argumentos, os advogados da Nardini alegam que a situação financeira da empresa é precária, mas ainda viável.

“Apesar do enorme esforço dispendido para que o maior número de funcionários permanecesse ativo, atualmente com 286 (duzentos e oitenta seis) colaboradores, as dívidas das autoras aumentam a cada dia exponencialmente”, cita a empresa na ação.

A crise e o endividamento, segundo o pedido de recuperação, se dão por conta de motivos como abuso na cobrança de juros de instituições financeiras, redução drástica da margem operacional, crise do setor, folha de pagamento acima da capacidade de pagamento do negócio, excesso de carga tributária e aumento da inadimplência.

Representante da Nardini, o advogado Gabriel Battagin Martins afirmou que o processo é uma forma da empresa evitar “amanhecer com bloqueios na conta” que impossibilitem que ela honre com os salários dos servidores. Atualmente, há dificuldade em quitar a folha de pagamento nos dias previstos em lei.

“O processo de recuperação judicial, num primeiro momento, vai evitar esse tipo de situação. Vai criar uma blindagem para a empresa para que ela possa trabalhar tranquilamente. Os valores pendentes vão ser discutidos e pagos na recuperação judicial”, explicou Martins.

Caso o juiz defira o pedido, o plano efetivo de recuperação deverá ser apresentado em 60 dias. Nesse cenário, um administrador judicial também será nomeado pelo próprio juiz para acompanhar o caso.

O período para elaboração do plano é apontado como fundamental pelo advogado para entender a real situação da Nardini. Há o pedido na ação para que sejam suspensas todas as ações ou execuções contra a empresa.

“Nesse período de deferimento de 60 dias, a gente vai ter uma noção mais real de qual é a capacidade da empresa, do que ela fatura com o que ela despende para se manter, o que gera de caixa, para a gente projetar os pagamentos”, disse Martins.

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