CEI da Saúde chega ao fim sem conclusão

Apresentado meia hora antes da sessão, o relatório final não foi votado pela comissão nem levado a plenário


Após 195 dias de duração, a CEI (Comissão Especial de Inquérito) da Saúde termina nesta sexta-feira (13) sem conclusão e com um racha interno. A Câmara de Americana rejeitou por 9 a 8 a prorrogação da investigação por mais 180 dias na sessão desta quinta-feira. Apresentado meia hora antes da sessão, o relatório final não foi votado pela comissão nem levado a plenário. Léo da Padaria (PC do B) chegou depois e não votou.

A CEI investigou, entre outras coisas, supostos desvios de verbas da saúde para o caixa geral da prefeitura, pagamento de notas fiscais sem conferência e a existência de plantões médicos fantasmas.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Relator da CEI votou contra a prorrogação dos trabalhos

O próprio relator da comissão, Thiago Martins (PV), e mais três membros do grupo votaram contra a prorrogação dos trabalhos. Apesar de admitir que seu relatório não “vale nada” como conclusão da CEI, Martins diz que vai encaminhá-lo ao Ministério Público e à prefeitura para que investiguem as irregularidades apontadas. “Não há porque prorrogar se você não tem mais o que fazer”, afirmou Martins, que citou “questões de ego” na comissão.

A presidente da CEI, Maria Giovana Fortunato (PC do B), criticou o fato de o próprio relator ter votado contra a prorrogação. Ela diz que já havia sido combinado que o relatório teria de ser entregue ao menos 48 horas antes do término dos trabalhos. Como a CEI acaba hoje, os membros decidiram não votar o relatório de Martins porque não seria cumprido o prazo de dois dias.

Segundo Giovana, os membros estavam confiantes que a prorrogação seria aprovada em plenário e que, por isso, poderiam sugerir alterações no documento final. “Como você explica pra população que as investigações acabaram se a gente não teve tempo de ler o relatório, não teve tempo de concluir os trabalhos?”, questionou. Alguns vereadores discursaram a favor da prorrogação. Ninguém falou contra. Colocado em votação, o pedido foi rejeitado por 9 a 8.

> Veja como votou cada vereador:

FAVORÁVEIS em esticar o prazo da CEI
Antônio Carlos Sacilotto (PSDB)
Gualter Amado (PRB)
Maria Giovana Fortunato (PC do B)
Odir Demarchi (PR)
Professor Padre Sérgio (PT)
Welington Rezende (PRP)
Thiago Brochi (PSDB)
Vagner Malheiros (PDT)

CONTRÁRIOS em esticar o prazo da CEI
Guilherme Tiosso (PROS)
Judith Batista (PDT)
Juninho Dias (MDB)
Kim (MDB)
Luiz da Rodaben (PP)
Otto Kinsui (MDB)
Pedro Peol (PV)
Rafael Macris (PSDB)
Thiago Martins (PV)

Giovana dizia que a prorrogação era necessária para fazer acareações e pedir quebra de sigilo bancário de um médico para apurar se ele repassava a alguém parte do que recebia por horas extras supostamente inexistentes.

A parlamentar diz que em agosto, após o recesso, os vereadores da comissão vão se reunir para decidir o que fazer com as informações levantadas na CEI. Segundo ela, não foi um trabalho perdido, já que eles podem encaminhar questões sem necessidade da CEI.

‘VERGONHA’

Depois que a Câmara de Americana vetou a prorrogação da CEI da Saúde, o ex-secretário da pasta e ex-diretor da Fusame, Nilton Lobo, sentou em uma das primeiras fileiras do plenário e começou a apontar e gesticular para vereadores que votaram favoráveis ao encerramento dos trabalhos. “Vergonha, você é uma vergonha”, disse Lobo, primeiro apontando para Otto Kinsui e depois para Juninho Dias (ambos do MDB). Durante a CEI, Lobo acusou o desvio de R$ 8 milhões da saúde para o caixa geral da prefeitura e fez várias críticas ao prefeito Omar Najar (MDB), de quem já foi amigo.

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