Caso Stival: suspeito nega ter sido mandante de assassinato

Júri de acusados da morte de comerciante em Americana acontece desde o início da manhã desta terça-feira, no Fórum


O comerciante Rogério Henrique da Silva negou ser o mandante do assassinato do também comerciante Marcos Antonio Stival Junior, de 25 anos.

A declaração foi dada no início da tarde desta terça-feira, no júri popular que decide se condena ou absolve dois dos três suspeitos de participar da morte de Stival, ocorrida em maio de 2017, no Jardim Boer, em Americana.

“Nunca tive problemas com o Marcos. Não sei porque estou aqui”, disse Rogério, durante o júri. “Nós éramos amigos. Emprestávamos bebidas um para o outro. Eu alugava cadeiras, ele me indicava”.

O segundo réu no caso, o autônomo Valdeir Ferreira da Silva, alegou ser vítima de racismo. “Estou sendo acusado porque sou preto. Cor e estatura não são provas de nada”, disse, ao ser ouvido na tarde desta terça-feira, durante o júri.

Valdeir negou que tenha prestado o depoimento que a Polícia Civil atribuiu a ele, confessando participação no roubo em que Stival foi morto. “Pedi para ler o depoimento, mas não deixaram”, afirmou.

Foto: O Liberal
O comerciante Rogério Henrique da Silva (de azul) é apontado como mandante do assassinato

O júri começou às 9 horas, no Fórum de Americana e continua na tarde desta terça-feira. No início da manhã, foram ouvidas as primeiras testemunhas do processo sobre a morte do comerciante. O LIBERAL acompanha o julgamento no local.

A defesa dos dois réus questionou, durante os depoimentos, a linha de investigação adotada pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) no caso. Os defensores cobraram de uma investigadora ouvida em plenário provas de que outros indícios foram analisados.

Um deles é a informação dada por familiares de Stival de que ele foi visto chorando por conta de um desentendimento na compra de um carro. O advogado Willian Oliveira perguntou à investigadora porque a prima da vítima, que teria ouvido dele que teria sido ameaçado, não foi ouvida pela Polícia Civil.

“A senhora seguiu a linha que mais gostou?”, perguntou o advogado. “Nenhuma outra prova ou informação corroborou outra linha de investigação”, declarou a investigadora Débora Silvestrini.

Já o advogado José Sidnei da Rocha quis saber como os policiais chegaram a seu cliente, Valdeir Ferreira da Silva. A policial afirmou que uma operação da DIG, que prendeu o outro réu do caso – Rogério Ramalho, que teve o processo desmembrado – levou os investigadores a Valdeir.

Foto: O Liberal
Advogado José Sidnei da Rocha quis saber como os policiais chegaram a seu cliente, Valdeir Ferreira da Silva (de branco)

O CASO

Marcos Antonio Stival Junior, de 25 anos, foi assassinado em maio de 2017, no bairro Jardim Boer.

Ele foi executado a tiros depois de um assalto. Dois bandidos invadiram seu estabelecimento e pegaram o dinheiro do caixa e mercadorias. Mesmo sem reação, Marcos foi obrigado a acompanhar os assaltantes até uma construção, onde foi morto.

A Polícia Civil e o Ministério Público sustentam que o roubo foi usado para “mascarar” um homicídio, motivado por uma disputa comercial. O comerciante Rogério Henrique da Silva é apontado como mandante do assassinato.

Segundo a denúncia, ele estaria incomodado com o sucesso de Stival, que havia acabado de abrir um depósito de bebidas, mesmo ramo de atuação que o seu. A defesa do comerciante nega qualquer participação no homicídio.

Foto: Facebook / Reprodução
O comerciante Marcos Stival Junior, de 25 anos, assassinado em 2017, no Jardim Boer, em Americana

Rogério vai a julgamento ao lado de Valdeir Ferreira da Silva, que teria participado da execução do crime. Cada um responde de forma diferente no caso.

O primeiro vai responder por homicídio qualificado. Já o segundo, que chegou a admitir participação no roubo, será julgado apenas por este crime. A defesa dele sustenta que a admissão foi “forçada” pela Polícia e que ele é inocente.

O terceiro réu do caso – Rogério Rodrigues Ramalho – recorreu da sentença de pronúncia (que encaminhou o caso para júri popular) e só será julgado após a análise desse recurso.

Os três acusados estão presos desde que a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) concluiu o inquérito sobre o assassinato, em outubro de 2017.

 

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