Casal de Americana realiza trabalho voluntário na Turquia

Após trabalho voluntário na Bahia e em Minas Gerais, casal de Americana vai trabalhar com refugiados da Síria e Iraque na Turquia


Recém-chegado de uma viagem de 60 dias de trabalho voluntário na Bahia e em Minas Gerais, o casal de Americana Rosimara Lúcia Fernandes Gouvêa e Eduardo Matheis Ribeiro já planeja a próxima partida.

Em setembro do próximo ano, eles embarcam para a Turquia para uma temporada de pelo menos dois anos trabalhando com refugiados da Síria e Iraque.

Será mais um capítulo na vida do casal, que abandonou o emprego para se dedicar integralmente ao voluntariado.

“Éramos felizes no trabalho, mas atuando como voluntários somos muito mais”, destaca Rosimara.
Em julho deste ano, ela e o marido largaram o emprego – ela como supervisora de RH e ele como supervisor de produção numa multinacional alemã – para viajar trabalhando em prol de quem precisa.
A primeira experiência do casal foi no início deste ano, quando esteve na Turquia e na Grécia por 20 dias atuando num campo de refugiados.

Foto: Divulgação
Rosimara conversa com moradores de povoado conhecido como Laje dos Negros; “nosso papel ali era mostrar para eles que existe vida fora do povoado”

“Estávamos em férias quando fizemos essa viagem, mas depois percebemos que era isso mesmo que a gente queria e que não daria para continuar conciliando as duas coisas”.

Rosimara e Eduardo integram a agência missionária Jocum (Jovens com uma Missão), órgão ligado à Universidade das Nações, uma instituição mundial com bases em vários países incluindo o Brasil. O casal de Americana integra a base de Curitiba, que faz a ponte entre eles e os trabalhos voluntários.

Depois da primeira viagem, uma nova oportunidade surgiu no meio do ano logo após terem se desligado do trabalho. “Nos deram duas opções. Trabalhar na Bahia e em Minas ou Londres. Optamos por ficar no Brasil porque ainda não tínhamos nenhuma experiência por aqui”, conta Rosimara.

O casal ficou 15 dias no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, e outros 45 no sertão baiano, num povoado quilombola conhecido como Laje dos Negros. O local fica a três horas de viagem da cidade mais próxima, Campo Formoso.

O percurso todo em estrada de terra levou a uma realidade desafiadora. A seca e a pobreza extremas tiram das crianças e dos adolescentes do local qualquer perspectiva de uma vida melhor. O objetivo do casal no local foi trabalhar contra isso.

“Nosso papel ali era mostrar para eles que existe vida fora do povoado”, conta Rosimara. Segundo ela, durante os dois meses e meio em que permaneceu em Laje dos Negros o casal trabalhou com as crianças, despertando a consciência de que existem coisas boas além da terra seca, dando esperança de um futuro melhor.

Em Rubelita, uma cidade pequena do Vale do Jequitinhonha, o casal trabalhou a valorização do local pelos jovens.

“As pessoas saem de Rubelita para trabalhar e não voltam mais por entenderem que a cidade não oferece perspectiva de futuro. O papel dos voluntários foi mostrar que não precisa ser assim”.

Turquia

Os dois voluntários de Americana chegaram há duas semanas do trabalho em Minas e na Bahia e já fazem planos para a próxima viagem. Como todo o custo é bancado por eles, se organizam para conseguirem o necessário para embarcarem rumo à Turquia em setembro.

Eles pretendem alugar o apartamento que mantêm em Americana e permanecerem entre dois e três anos fora do Brasil trabalhando com refugiados que estão recomeçando a vida naquele país. “O objetivo será ajudá-los nesse recomeço”, conta Rosimara.

O casal levará para a Turquia kits que permitirão aos refugiados construir móveis e com isso fazer renda que lhes permita sobreviver. Nessa nova empreitada, contarão com a ajuda de familiares, amigos e até empresas.

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