Casais acusam fotógrafo de golpe em Americana

Gustavo Yuri Bortoluci foi condenado em dois processos, mas não cumpriu sentenças alegando “mal planejamento” para cumprir os acordos


O fotógrafo Gustavo Yuri Bortoluci, de Americana, é acusado por casais de não cumprir contratos e não entregar fotos e filmagens de casamentos na região. De quatro pessoas ouvidas pelo LIBERAL, duas entraram com ações na Justiça e tiveram sentenças favoráveis.

Entretanto, as decisões judiciais não foram cumpridas pelo profissional, que alega não ter recursos financeiros para pagar as indenizações. Ele nega que tenha aplicado golpes, mas admite que houve “mal planejamento” para cumprir os acordos.

Foto: Facebook / Reprodução
 Bortoluci disse que os álbuns dos dois processos estão prontos e negou que tenha aplicado golpes

Um dos casos que acabou na Justiça foi o de uma secretária de 33 anos, que contratou Bortoluci por R$ 3 mil, em outubro de 2015, para fotografar seu casamento em Nova Odessa. O material combinado não foi entregue após a cerimônia e houve publicação de imagens e vídeos no YouTube do profissional, o que era proibido em contrato.

“Após alguns dias que eu casei ele postou no Facebook dele umas 10 fotos como portfólio. Ele postou divulgando o trabalho, no site dele, e quando entrou com processo ele apagou todas as fotos”, disse a mulher, que pediu anonimato.

Na sentença de 23 fevereiro de 2018, o juiz Fábio D’Urso determinou que fossem entregues um DVD com as fotos do casamento editadas, um bluy-ray, e dois DVDs de vídeo editados. Também fixou multa de indenização por danos morais no valor de R$ 5 mil.

No entanto, o material não foi entregue e a multa não foi paga. O fotógrafo também não foi localizado em setembro do ano passado para ser intimado.

Outro caso foi o do eletricista Jorge Gil Queiroz Filho, 40, que contratou Bortoluci em julho de 2016, por R$ 2.472, para fotografar e filmar seu casamento em Americana. O acordo previa DVD com fotos, making off, álbum físico, ensaio antes do casamento, entre outros.

“Na hora da igreja, não seguiu o que foi ensaiado. Filmaram, mas o cronograma para entrar, do roteiro, não foi feito certo. Quando chegou no evento, o cara me esquece o CD do making off. Ele foi atrás do CD não sei onde, e acabou trazendo um CD que não tinha montagem nenhuma, foi no improviso”, afirmou Queiroz.

Um ano depois da cerimônia, o álbum não teria sido entregue, o que motivou o pedido de cancelamento do contrato. Em sentença no dia 17 de janeiro de 2018, Bortoluci foi condenado a restituir o valor do contrato e pagar R$ 2,5 mil de indenização.

O processo transitou em julgado, a decisão não foi cumprida e fotógrafo não foi localizado.

OUTRO LADO

Procurado pelo LIBERAL, Bortoluci negou que tenha aplicado golpes. “Foi um série de fatores que desencadearam essa situação de atraso, mal planejamento acho que seria o principal. Acho que falhei sim nesses casos, acabei deixando passar e na loucura de outros eventos e também de diversas situações pessoais pelas quais passei”, afirmou Yuri.

Bortoluci disse que os álbuns dos dois processos estão prontos desde antes do início das ações, “porém os casais preferem dinheiro ao invés do material”. No caso do eletricista, houve uma tentativa de entregar o material na audiência de conciliação, mas o ex-cliente não aceitou.

A empresa do fotógrafo foi dissolvida em fevereiro de 2018. “Nunca houve intenção em fechar um contrato e não cumpri-lo. Mesmo que entregue em juízo preciso pagar, correto? Não tenho dinheiro algum e nem de onde tirar”, argumentou Yuri.

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