Câmara aprova fossa sustentável para combater aguapés no Salto Grande

Medida, que passou por primeira discussão, permite a adoção de tecnologias alternativas para lidar com o esgoto das residências às margens da represa


Em um cenário de pelo menos 30 residências despejando esgoto “in natura” na água e outros 103 imóveis com fossas convencionais – e não permitidas – a Represa do Salto Grande, em Americana, se tornou um “mar verde” por conta da presença maciça de aguapés. Para tentar combater esse problema, a comissão de estudos para despoluição da represa, na Câmara de Americana, conseguiu aprovar nesta quinta-feira um projeto para tornar permitida a adoção de tecnologias alternativas para lidar com o esgoto das residências localizadas nas margens da represa.

A matéria altera a legislação municipal sobre o assunto, tornando permitida a instalação de fossas sépticas biodigestoras nos imóveis. A tecnologia é aprovada pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e evita que o esgoto das residências seja despejado na água. Hoje não há ligação desses imóveis na rede de esgoto.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Orla da Praia dos Namorados completamente tomada por aguapés, que se alimentam da matéria orgânica

A saída para boa parte dos moradores foi instalar fossas convencionais, que geram gasto de cerca de R$ 900 mil por ano ao Executivo para efetuar a limpeza dos resíduos. A informação consta em resposta de requerimento. Além de custosas, segundo a presidente da comissão, Maria Giovana Fortunato (PC do B), essas fossas poluem o meio ambiente. “Ela não é segura. Quase todas vazam em diferentes graus e isso polui a represa e o solo”, disse.

De acordo com informações da comissão, a prefeitura cobrava uma solução dos moradores, mas a lei não permitia alternativa senão ligação na rede de esgoto, que não existe no local. O relator da comissão, Rafael Macris (PSDB), explicou que a lei aprovada nesta quinta busca modernizar essa legislação para que novas alternativas sejam aceitas para combater o problema.

“Hoje a orla da Praia dos Namorados está completamente tomada por aguapés. É um ‘mar verde’. Elas se alimentam e crescem por conta da matéria orgânica, principalmente pela presença de esgoto ‘in natura’”, afirmou o vereador.

Segundo Giovana, os estudos da comissão identificaram que uma alternativa sustentável e não tão cara é a fossa séptica biodigestora. Cada equipamento tem custo aproximado de R$ 1,5 mil. “A prefeitura hoje gasta para limpar aquelas fossas convencionais, então eu até sugiro que esse quase um milhão seja revertido em uma política pública comprando esses equipamentos, porque nem todas as famílias terão condições de adquirir”, afirmou a parlamentar. O projeto vai para segunda discussão na semana que vem e precisa de sanção do prefeito.

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