Futebol no Jardim Alvorada tira crianças da rua

Ao conciliar a rotina de tecelão com os momentos de folga, Carlos André de Souza cria escolinha de futebol para tirar crianças da rua no Jd. Alvorada


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Duas vezes por semana, o tecelão Carlos André de Souza, de 49 anos, mais conhecido como Toquinho, dedica parte do seu dia para dar aulas de futebol a crianças e jovens entre 7 e 17 anos de idade no Jardim Alvorada, em Americana. Ele não recebe nada por isso e concilia a rotina de treinos com o trabalho em uma indústria têxtil.

Foto: Leonardo Oliveira / O Liberal
Projeto Unidos do Alvorada conta com três categorias: sub-11, sub-13 e sub-15; eles treinam às terças e quintas-feiras em períodos alternados

Cerca de 100 crianças fazem parte da escolinha Unidos do Alvorada, criada pelo tecelão. Eles utilizam o campo do bairro para a prática do esporte sempre às terças e quintas-feiras e contam com a supervisão de Toquinho, nome conhecido no futebol amador americanense.

O lateral-direito campeão da várzea por Grêmio Alvorada e Faixa Preta não atua nos campos da cidade com a mesma frequência de duas décadas atrás, mas ainda assim marca presença nos torneios de veteranos. Neste ano, ele decidiu fazer algo pelo bairro que o acolhe há quatro décadas.

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“Aqui no bairro as crianças não tinham um lazer. Você sabe como o mundo está hoje, criança na rua só aprende coisa que não presta. Aí resolvi fazer isso para movimentar esse bairro. O campo estava parado, abandonado, aí começamos, com a ajuda dos pais, a fazer isso aqui”, relatou ao LIBERAL.

Ele procurou a Secretaria de Esportes de Americana e conseguiu permissão para o uso do campo municipal do bairro. Depois disso, angariou os primeiros alunos e começou os treinos duas vezes por semana.
O desafio foi conciliar a rotina, já que ele cumpre oito horas por dia de trabalho em uma indústria têxtil da cidade.

Foto: Leonardo Oliveira / O Liberal
Carlos André de Souza, o Toquinho

A cada semana o tecelão trabalha em um horário diferente, por isso as atividades na escolinha variam entre o período da manhã e o da tarde. Quando não pode em algum dos turnos, conta com a ajuda do pai de um dos alunos, que assume o treino.

“Eu não ganho nada. Desde o começo eu falei que não quero cobrar nada de ninguém. Isso aqui é nosso, é deles. O melhor mesmo é tirar eles da rua. Quando vai entrar em um campeonato eu peço ajuda para pagar os árbitros, quem puder ajudar com R$ 5, R$ 10”, acrescenta.

Toquinho muitas vezes tira do próprio bolso para viabilizar a estrutura necessária para os treinos. Recentemente, incluiu perfumes que possuía em uma rifa realizada para bancar a arbitragem de um torneio.

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Uma farmácia contribui com remédios e o dono de um mercado fornece pães para as crianças se alimentarem.
O Unidos do Alvorada conta com três categorias: sub-11, sub-13 e sub-15. O tecelão espera que patrocinadores e empresários se interessem pelo projeto para melhorar as condições da escolinha. É possível ajudar com doações de alimentos e materiais esportivos. Para isso, bate entrar em contato de Toquinho no (19) 98208-3088.

Doações de materiais esportivos e alimentos são bem-vindos, diz Toquinho. “Conheço todo mundo, é como se fossem meus filhos. A minha alegria vai ser ficar sabendo que algum deles foi para algum time. Acho que vai acontecer logo porque tem muitos aqui que são bons de bola”, aposta o técnico dos garotos.

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