Bairros que lideram casos de dengue em Americana têm maior população

Locais com concentração, imóveis fechados e regiões com descarte de entulho registram mais ocorrências


Os bairros que aparecem liderando no número de casos em Americana são aqueles com maior concentração populacional. Outros fatores que influenciam na ocorrência da doença são locais com muitos imóveis fechados, nos quais não é possível realizar a visita de agentes, e também aqueles com descarte de grande volume de entulho.

O Antonio Zanaga, que lidera com 101 casos, historicamente sempre esteve entre os locais com maior disseminação do vírus. Em 2014 e 2015, os dois anos com maior epidemia da doença na cidade, o bairro apareceu em quarto e sétimo lugar no número de casos confirmados, respectivamente.

Da mesma maneira, o Jardim da Paz (44 casos), São Jerônimo (48) e Cidade Jardim (37), que estão entre os dez bairros com mais positivos este ano, também aparecem entre as regiões que tinham maior disseminação nos anos anteriores.

Uma surpresa deste ano é o Jardim América 2 – até o momento, foram confirmadas 85 pessoas infectadas naquela região, o que a coloca como a segunda pior em toda a cidade. O bairro chegou a liderar no início deste ano. Desde 2013, esta é a primeira vez que a área aparece entre aquelas com maior incidência da doença.

Coordenador da Vigilância Ambiental de Americana, Antônio Jorge da Silva Gomes creditou a disparada de casos no Jardim América 2 ao aumento na densidade populacional.

De acordo com ele, nos últimos anos em que houve epidemia na cidade – 2014 e 2015 – aquela não era uma região tão populosa. Além disso, ele acredita que em anos anteriores, alguns moradores possam ter informado o endereço no Jardim América 2 como sendo de outros bairros.

“Provavelmente tínhamos ali (Jardim América 2) uma densidade populacional menor. Já o Antonio Zanaga um número sempre se mantendo. Desde o início, como qualquer conjunto habitacional a densidade populacional é muito grande. Quando você tem uma transmissibilidade instalada e não se consegue uma real situação de controle, você vai ter a proliferação muito rápida, em um número muito grande”, explicou.

Bairros que tradicionalmente têm muitos imóveis fechados, como a Vila Santa Catarina, tendem a registrar uma grande quantidade de casos. A avaliação é do infectologista do Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, Arnaldo Gouveia Junior.

“Se você não consegue entrar, fica tudo exposto. Um pouquinho de água o mosquito já põe ovo, imagina uma calha inteira exposta”, exemplificou o médico. Desde o início do ano, forma confirmados 1.543 casos. Cinco pessoas morreram de febre hemorrágica na cidade, com suspeita de terem sido provocadas por dengue.

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