Assessor trabalhava para Tiosso e recebia pela câmara, diz Fanali

Até o último dia 2, Jorge Ramos era contratado da câmara e estaria trabalhando com secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico


O vereador de Americana Geraldo Fanali (PRP) disse ao LIBERAL que Jorge Ramos, que até o dia 2 de janeiro estava contratado em seu gabinete na câmara, não trabalhou para ele, e sim para o secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Tiosso. A declaração foi feita anteontem, por telefone.

Fanali mudou o discurso em uma segunda entrevista pessoalmente, cerca de uma hora depois, e disse que Ramos realizava “serviços externos”. Porém, afirma que não sabe o que seu assessor fazia e admite que jamais falou de trabalho com ele. “Cruzei no elevador [da Câmara] algumas vezes.”

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Primeiro Fanali disse que Ramos não trabalhava para ele, mas depois mudou discurso

Fanali era suplente de vereador do PRP e trava com Tiosso uma batalha judicial pela cadeira. É que Tiosso, vereador licenciado, trocou o PRP pelo PROS no começo de 2018. Em 9 de novembro, foi anunciado secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do governo Omar Najar (MDB). Assumiu o cargo oficialmente três dias depois e deixou a câmara. Desde então, Fanali o substitui no Legislativo.

Em 6 de dezembro, o TRE cassou o cargo de Tiosso por infidelidade partidária, mas ainda cabe recurso.

Jorge Ramos era assessor de Tiosso na Câmara. Foi contratado em novembro com salário bruto de R$ 4.570,74. Sua exoneração foi publicada ontem, retroativa ao dia 2 de janeiro. Segundo o presidente da câmara, Luiz da Rodaben (PP), desde que Fanali assumiu o cargo de vereador é ele o responsável pelos assessores do gabinete, inclusive por Ramos.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Tiosso nega que Ramos estivesse atuando com ele

Desde que Tiosso virou secretário, Jorge Ramos o acompanha em algumas ocasiões, inclusive públicas. No dia 18 de dezembro, por exemplo, quando a Umicore anunciou novas fábricas em Americana, Ramos estava no gabinete do prefeito Omar Najar, onde o evento foi realizado por volta das 10 horas. À tarde, antes das 17 horas, Tiosso visitou o LIBERAL acompanhando de Ramos para falar sobre o mesmo assunto. Definiram-se como “parceiros políticos”.

Tiosso nega que Ramos estivesse trabalhando com ele. Diz que o ex-assessor ia à unidade de Desenvolvimento Econômico no horário de almoço e no fim do expediente, por volta das 17 horas, para o assessorar informalmente.

“E aí como era final de ano ele ficou até dia 2 lá na câmara. E aí ele veio para cá [prefeitura] agora.” Ramos, porém, não está oficialmente contratado pela prefeitura. Presta uma assessoria voluntária, segundo Tiosso, que, como agora é do Executivo, deve ser fiscalizado pela câmara.

Foto: Divulgação
“Esse período eu estava passando exatamente para o grupo do Fanali o que é a rotina política da câmara”, explicou Ramos

Ramos diz que trabalhou. Afirma que ajudou Fanali na “transição”, explicando a rotina da câmara. “É mentira dele (que não trabalhei)”. Ramos diz que ia rotineiramente ao gabinete. “Teve alguns dias que eu não fui lá por causa de estar fazendo trabalho externo”. Segundo ele, esse serviço fora da câmara era para resolver questões relacionadas a trabalhos de Guilherme Tiosso como vereador que tinham ficado inacabadas.

O LIBERAL conversou com Fanali por telefone pela primeira vez por volta de 17h40 de terça-feira e, cerca de uma hora depois, na farmácia dele, pessoalmente – a seu pedido. “Na verdade, eles [assessores] não trabalharam no meu gabinete, mas eles estavam trabalhando para o Tiosso”, afirmou por telefone. Apesar de dizer “eles”, Fanali depois explicou que o outro assessor de Tiosso continuou trabalhando de fato dentro do gabinete.

O vereador disse que não concordava com a situação e chegou a classificá-la “como horrível”. “Porque o povo que paga.” Disse, porém, que não podia fazer nada porque ainda era suplente. Quando saiu a decisão do TRE que deu a ele o cargo, dia 6 de dezembro, resolveu esperar o fim do ano para exonerar os dois assessores de Tiosso para “não estragar o fim de ano deles”. Ele disse por telefone que Tiosso não pediu para que ele mantivesse os assessores. Depois, na farmácia, afirmou que o atual secretário pediu para segurá-los até a decisão da Justiça, ao menos – Tiosso disse que não pediu nada.

Na farmácia, Fanali mudou o discurso. Disse que Ramos fazia serviços externos, que ajudava ele e Tiosso e que prestava contas a seu chefe de gabinete, Jair Camargo. Mas Fanali conta que ia pouco à câmara e que não sabia o que Ramos fazia.

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