Aprovação de condomínios atinge 77 projetos em 2 anos

Números da prefeitura representam média de uma aprovação a cada nove dias em Americana


Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal.JPG
Condomínio em construção no Jardim dos Lírios; volume de novos imóveis gera temor sobre abastecimento de água

A Prefeitura de Americana aprovou 77 novos condomínios de prédios nos dois últimos anos, média de um a cada nove dias. São 5.228 apartamentos, ou sete a cada 24 horas, em empreendimentos de pequeno, médio e grande porte. Os dados, que compreendem o período de janeiro de 2017 ao mês atual, são da prefeitura.

Na semana passada, o prefeito Omar Najar (MDB) disse que estuda suspender a implantação de novos empreendimentos habitacionais na cidade por causa dos problemas de constante falta d’água, intensificados no fim do ano passado. Omar citou que a aprovação de grandes condomínios sem a exigência de contrapartidas no passado elevou muito o consumo e dificultou a capacidade de abastecimento de algumas regiões, como a do Parque Novo Mundo.

Os 77 condomínios não estão necessariamente prontos. Alguns empreendedores podem nem ter começado a obra e outros já devem estar com o habite-se emitido, explica o secretário de Planejamento, Angelo Marton. Mas como são aprovações recentes, é exatamente com desses dados que o poder público precisa trabalhar para planejar a oferta de água a curto prazo.

A Secretaria de Planejamento e o DAE (Departamento de Água e Esgoto) devem se reunir na semana que vem para analisar quais regiões da cidade precisam de mais atenção e obras, segundo o secretário. “Planejar quais regiões são mais críticas, quais ainda têm oferta de água para novos empreendimentos sem ter que fazer muita obra, investimento”, explicou Marton.

O número de aprovações não inclui os loteamentos, empreendimentos em que os lotes são vendidos para que o comprador construa depois. Segundo Marton, os loteamentos não representam tanto impacto a curto prazo, diferentemente de um prédio, que já é vendido pronto e para onde as pessoas se mudam mais rápido.

A partir de fevereiro, o setor de aprovações passa a ser subordinado à Secretaria de Planejamento, o que deve facilitar o controle sobre o crescimento, pois a pasta, afirma, tem uma integração com o DAE. “A gente vai ter um controle maior de tudo que é construído, pedido aprovação, tanto de loteamento quanto de prédios”, destaca Marton.

Para o presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Americana, Renato Arcanjo de Castro, se bem planejado, o crescimento não traz problemas. “O progresso faz parte”, considerou.

Segundo o vereador Marco Antonio Alves Jorge, o Kim (MDB), que já foi secretário de Habitação, no passado foram aprovados muitos empreendimentos, principalmente de baixa renda, sem a exigência de contrapartidas.

Como eram considerados de “interesse social”, esses negócios acabavam isentos de fazer aportes em infraestrutura, como saneamento e trânsito. “Acredito que foi um erro”, afirmou Kim, que diz que o atual prefeito acabou com a prática.

Atualmente, segundo a prefeitura, o DAE solicita medidas compensatórias quando um empreendimento está em fase de implantação. Eventualmente, diz o governo, tais medias podem representar um novo reservatório de água.

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