Após afastamentos, acompanhante de autista assume sala

Mãe diz que decisão judicial não é cumprida e diretora afirma que não sobram professores; duas educadoras precisaram de afastamento médico em escola


Após o afastamento médico de duas professoras da Escola Municipal Jonas Correa de Arruda Filho, no São Vito, em Americana, uma docente que auxiliava um aluno autista precisou assumir a sala inteira do garoto, que está no 5º ano. A mãe dele havia conseguido a professora auxiliar para o filho por meio de uma decisão judicial.

O LIBERAL quer saber sua opinião sobre o nosso portal. Acesse o questionário online e nos ajude a melhorar. CLIQUE AQUI PARA RESPONDER A PESQUISA.

Desde que a auxiliar foi designada para assumir a classe, há cerca de um mês, o menino de 10 anos está sendo acompanhado por uma cuidadora. A mãe, Cristiane Assumpção, 40, afirma que a decisão judicial não está sendo respeitada porque ela não é contratada como professora. A prefeitura diz que a profissional que auxilia o menino é formada em pedagogia e que a decisão não foi descumprida.

Foto: Arquivo / O Liberal
Caso aconteceu na Escola Municipal Jonas Correa de Arruda Filho, no São Vito, em Americana

Cristiane e um grupo de pais protocolaram um documento na prefeitura na última segunda pedindo a designação de um professor específico para a classe, e não suplente.

A mãe se preocupa principalmente com a quebra do vínculo emocional entre o filho e a auxiliar, algo que ela considera fundamental para o desenvolvimento, em função do diagnóstico de autismo. O menino reconhece letras e números e escreve algumas palavras que decorou, mas não consegue redigir uma frase sozinho, conta Cristiane.

A diretora da unidade, que pediu para não ter o nome divulgado, informou que a decisão foi sua única alternativa diante da falta de profissionais na escola. “Não tem professor sobrando. Na verdade eu tenho uma professora de apoio, mas ela tá sempre em sala de aula porque sempre eu tenho faltas”, explicou a diretora.

A escola tem 860 alunos e aproximadamente 40 professores. Segundo a diretora, a situação piorou muito desde a demissão dos servidores em estágio probatório, em 2017. Naquela época, diz a profissional, a escola tinha seis professores de apoio. Hoje são quatro, mas três estão afastados. No documento, os pais reconhecem que a direção e os professores têm feito de tudo.

A Prefeitura de Americana tentou contratar profissionais temporários sem concurso, por meio de um processo seletivo, mas a Justiça barrou a iniciativa.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora