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Economia local

Apesar da pandemia, mercado imobiliário de Americana mantém fôlego

Americana tem apresentado bons resultados no setor; região de Campinas é líder estadual em vendas de lotes

Por Heitor Carvalho

25 jan 2021 às 07:41 • Última atualização 25 jan 2021 às 15:11

Apesar do grande impacto da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) na economia, o mercado imobiliário americanense manteve o fôlego segundo as imobiliárias ouvidas pelo LIBERAL.

Em relação a venda de novos imóveis, Denis Russo, proprietário de uma imobiliária localizada no Centro da cidade, disse que o ano passado foi uma surpresa positiva.

“O número geral de vendas, principalmente de lançamentos, foi maior do que o projetado para o início do ano, e ainda maior se comparado à expectativa que criamos após o advento da pandemia”, comemorou.

Mercado imobiliário americanense manteve o fôlego em 2020 – Foto: Ernesto Rodrigues / O Liberal

A pandemia, inclusive, é citada por Russo como um fator que pode até ter contribuído para esse cenário de boas vendas.

“É claro que em termos de valores, alguns produtos tiveram o valor da oferta ou forma de pagamento revisada, mas sentimos que a necessidade de ficar em casa motivou os compradores a, de certa maneira, morar melhor”, afirmou.

“A cidade de Americana é sempre uma boa opção de investimento para os negócios e moradia, poucos imóveis ficam fechados por muito tempo”, concluiu.

Na mesma linha, Lira Maria de Souza dos Santos, dona de uma imobiliária no Jardim Miriam, também se mostrou otimista e disse que o mercado imobiliário na cidade no ano passado não foi ruim.

“Apesar da pandemia, acredito que o mercado se manteve e em alguns períodos de 2020 até superou o ano de 2019, que foi muito ruim para vendas. Para esse ano, a expectativa é que tenhamos uma procura maior ainda”, afirmou.

Vendas e compras de imóveis
Ambos os entrevistados concordam que o momento é mais propício para vendas.

“Já viemos de alguns anos em que o mercado se aponta como vendedor, o que também resulta em boas opções de compra. Construtoras tem apenas reajustado seus valores de acordo com os custos, não vemos aumento real dos imóveis há um bom tempo, principalmente nos novos”, afirmou Russo.

Lira dos Santos concorda: “O momento atual é mais propício para venda. Diante das dificuldades causadas pelo nossos governantes, os imóveis deixaram de ter valorização anual de 20%”, afirmou.

Segundo último levantamento divulgado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e pelo portal Zap, referente ao terceiro trimestre de 2020, a proporção de pessoas que declararam intenção de adquirir imóveis nos três meses seguintes passou de 43% no segundo trimestre, para 48% no terceiro, um recorde na série histórica da pesquisa, iniciada em 2014.

O cenário positivo também é confirmado por Kelma E. T. de Camargo, que atua como diretora da área de condomínios e relações trabalhistas do Secovi (Sindicato das Empresas de Compra Venda de Imóveis) em Campinas.

“Mesmo com uma retração nos novos lançamentos, ainda assim tivemos uma alta de cerca de 5% na venda de imóveis na Região Metropolitana de Campinas, o que demonstra um mercado aquecido, mesmo que no meio da pandemia. O mesmo cenário foi observado na Grande São Paulo”, explicou Kelma.

IGP-M e o aluguel
A situação dos aluguéis, no entanto, foi mais complexa. Segundo dados da FGV (Fundação Getulio Vargas), o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), que é usado para calcular o reajuste anual dos contratos de aluguel, acumulou alta de 23,14% entre janeiro e dezembro de 2020.

Em Americana, o impacto da pandemia no faturamento das empresas resultou em aluguéis comerciais com valores reais menores ou reajustes aquém do projetado no início do ano.

No aluguel, alta do índice IGP-M não está sendo repassada aos inquilinos – Foto: Ernesto Rodrigues / O Liberal

No entanto, segundo Russo, houve alta nos valores locações residenciais. “Muitos inquilinos tiveram que se adaptar e essa necessidade de adaptação gerou uma boa movimentação no mercado”, disse.

Muitos proprietários também não têm passado a elevação do IGP-M aos locatários por conta da pandemia. “Temos contado com o bom relacionamento com os proprietários que, na maioria das vezes, têm entendido a situação”, afirmou Russo.

Para Lira dos Santos, a alta do IGP-M tem sempre um impacto muito grande nas relações locatícias, mas isto tem sido mitigado. “Muitos proprietários de imóveis deixaram de aplicar o reajuste. Isso, aliás, já vem acontecendo a algum tempo”, explica.

O cenário para os aluguéis não foi positivo no ano passado e que esse setor do mercado imobiliário, explicou Kelma, do Secovi.

Para ela o IGP-M no nível de 23% é algo “surreal” e o proprietário que repassar isso aos locatários está buscando, na verdade, deixar o “imóvel vazio”. “Ainda mais se repassar esses custos no momento delicado pelo qual estamos passando”, conclui Kelma.

Mercado regional
A região de Campinas respondeu pela liderança de lotes vendidos no Estado de São Paulo no primeiro semestre de 2020, com 4.172 terrenos comercializados.

A região ainda teve o maior Valor Global de Vendas, que totalizou R$ 609 milhões. Os dados são da pesquisa “Mercado de Loteamentos do Estado de São Paulo”, realizada pelo departamento de economia e estatística do Secovi-SP

O volume de negócios é considerável quando se considera um ano marcado por um cenário econômico incerto diante da pandemia e das medidas de quarentena.

No entanto, os dados específicos da cidade de Campinas, onde o Secovi-SP tem unidade instalada, sinalizam uma situação mais complexa.

Uma comparação entre os dados dos períodos entre agosto de 2019 e julho de 2020, com agosto de 2018 e julho de 2019, mostram um tombo de 33,5% nos lançamentos de imóveis residenciais e uma queda de 17,4% na comercialização de imóveis novos.

O desemprego elevado e a retração econômica somadas às incertezas da pandemia são as razões apontadas para não esperar uma retomada expressiva no mercado imobiliário nacional em 2021.

Podcast Além da Capa
São 11 novos vereadores em Americana a partir deste ano na comparação com a legislatura que terminou em 2020. Falamos sobre o desenho que se apresenta na atuação dos parlamentares e a relação com a pandemia da Covid-19 nesse contexto.


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