Amigos unidos na cozinha e na solidariedade

"Há bares que vem para o bem" é nome de um grupo de 28 amigos que organizam – e fazem – almoços em prol de entidades


“Há bares que vem para o bem”. O nome inspirado num provérbio famoso dá nome a um grupo barbarense formado por 28 amigos que decidiram, numa conversa de bar, transformar o gosto em comum pela gastronomia em eventos para arrecadar fundos destinados a entidades assistenciais de Santa Bárbara d’Oeste.

Eles são amigos há mais de dez anos e pelo menos parte deles se encontra quase que diariamente aos finais de tarde. A maioria tem habilidade na cozinha e se reunir para cozinhar é um dos programas favoritos do grupo. A ideia inicial de usar a gastronomia em benefício do próximo surgiu em dezembro de 2017, quando tentaram participar do primeiro festival gastronômico da cidade.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Ideia de cozinhar em prol de entidades surgiu em dezembro de 2017 depois que grupo tentou, sem sucesso, participar de um festival gastronômico

Como só podiam participar estabelecimentos da área vinculados a alguma entidade e o prazo de inscrição havia terminado, ficaram de fora. “Naquele momento, isso nos frustrou um pouco, mas passada a virada do ano voltamos a discutir o assunto”, diz o jornalista Oswaldo Bachin Junior, membro do grupo.

Quando isso aconteceu, uma das pessoas à mesa era o presidente do conselho da Casa da Criança, que então lançou o desafio de fazerem algo em benefício da instituição. O grupo aceitou e, em março de 2018, preparou uma paella caipira – sua especialidade – para 250 pessoas em prol da entidade.

“Foi um sucesso de público e renda. Nos motivamos e não paramos mais”, conta Bachin. Boa parte dos integrantes do grupo são profissionais das mais diversas áreas já aposentados. Além das habilidades na cozinha, outro ponto em comum uniu os amigos em torno das ações voluntárias.

“Comungamos do mesmo ideal, que é servir e devolver à comunidade um pouco do que a gente recebeu ao longo da nossa vida produtiva. Entendemos que chegou a hora e o momento de poder retribuir”.

Trabalho

Nos eventos que promove, o grupo cuida de tudo voluntariamente. “Produzimos o evento por completo. Captamos patrocínio, cuidamos da divulgação, ajudamos a vender os convites e fazemos a comida”, diz.

Segundo Bachin, a entidade beneficiada fica com 100% do lucro líquido obtido com a comercialização dos convites. “Buscamos patrocínio para bancar os ingredientes e a estrutura do evento. Quanto mais apoio conseguimos, mais dinheiro sobra para a entidade no final. Não ficamos com nada”, ressalta Bachin.

Em junho, o grupo foi procurado por uma empresa de Americana propondo a realização de um evento em prol de uma instituição que cuidasse de idosos. Com o seu patrocínio, o grupo realizou um jantar italiano para 510 pessoas em benefício do Asilo São Vicente de Paulo, em Santa Bárbara. “A empresa foi a principal patrocinadora e conseguimos arrecadar R$ 25 mil para a entidade”, ressalta.

A Associação de Monitoramento ao Autista Incluido de Santa Bárbara (AMAI) também foi beneficiada pelo “Há bares que vem para o bem”. Em outubro do ano passado, os amigos cozinharam para a instituição num evento que reuniu 250 pessoas.

A presidente da entidade, Eufrasia Agizzio, diz que a renda obtida representou “um alívio” e foi importante para manter a a instituição, que atende 24 crianças.

Ela cita que os membros do grupo são pessoas bem relacionadas, o que contribui, diz ele, para o sucesso de público e renda dos eventos que realizam. “Eles encontram mais facilidades para conseguir apoio e vender os convites. O valor que eles conseguiram foi bem superior ao dos eventos que realizamos”, diz.
O grupo também participa de ações beneficentes feitas por instituições de Santa Bárbara.

Em dezembro, cozinhou para 100 famílias assistidas pelo Centro Espírita Batuíra num almoço de confraternização. No primeiro semestre deste ano foram três eventos beneficentes e outros seis com a participação dos amigos estão agendados para acontecer até o final do ano.

O grupo iniciou agora um processo para registro da marca e o passo seguinte será formalizar a criação do grupo.

“Queremos preservar o nome para evitar que ele seja usado indevidamente, transformando-o talvez numa ONG (Organização Não-Governamental). Entendemos que desta forma, num futuro bem próximo, poderemos fazer da marca uma fonte de arrecadação de recursos sempre com o mesmo objetivo de promover ajuda às entidades”, explica.

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