Americanense de 7 anos sobrevive à febre maculosa

João Miguel, que mora no Vale das Nogueiras, é único que superou doença em Americana; ele ficou 9 dias internado


No meio da sala, rodeado por super-heróis, João Miguel, 7 anos, brinca animado. Ele é uma criança saudável, cheia de energia, que corre para o quarto buscar a carreta cheia de carrinhos que ganhou do pai. A cena é corriqueira. Poderia estar em qualquer casa, mas acontece num imóvel do Vale das Nogueiras, em Americana, e João Miguel não é qualquer criança. Ele é um sobrevivente. Único paciente que driblou a febre maculosa, resistiu à doença e voltou para casa. Ele é o final feliz em meio a uma sequência de histórias que somam nove mortes apenas este ano na cidade.

A sua história começou no dia 30 de abril. Era véspera de feriado e o pai resolveu levar o filho para pescar na Represa do Salto Grande. A mãe Solange Aparecida Boldrini Pinto, balconista, diz que o marido fazia sempre esse passeio, mas foi a primeira vez que levou o filho. João Miguel é o caçula e único menino da família. O casal tem outras três filhas, com idades entre 13 e 19 anos. Naquele dia, a família não suspeitava o que viria pela frente. Foi uma semana até aparecerem os primeiros sintomas e a mãe perceber que os micuins que retirou do corpo do filho na hora do banho, após a pescaria, deixaram mais que marcas na pele.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
João Miguel rodeado pela mãe e as irmãs: uma história com final feliz

Vômito e febre foram os primeiros sintomas. No pronto-socorro do bairro Antonio Zanaga, a médica plantonista desconfiou de gripe, medicou e mandou ele para casa. No dia seguinte, João Miguel piorou e já não tinha forças para andar. A mãe e o pai decidiram então levá-lo ao Hospital Municipal. Contaram para o pediatra os sintomas e a informação principal: o menino esteve na área próxima à represa.

“Quando falei isso, o médico suspeitou na hora e já pediu os exames”. A partir dali, seriam nove dias de internação, muitos momentos de desespero e o medo de perder a criança para a doença.

“Enquanto ele estava internado, eu chegava em casa do hospital e era um vazio. Via todos os brinquedinhos dele aqui na sala e ele lá. Aquilo me acabava. Me doía. Várias vezes tive medo de perdê-lo. O dia que voltei trazendo o João para casa, foi muita alegria. Me senti abençoada”.

Solange acompanha o avanço da doença em Americana e diz que se emociona quando fica sabendo de novas mortes causadas pelo carrapato estrela. No caso do seu filho, ela não sabe dizer o que fez a diferença entre a vida e a morte. Ela cita a rapidez da equipe médica em suspeitar da doença logo que os sintomas começaram, a imunidade alta do filho – “nenhuma gripe nunca o derrubou” – e a fé que a família mantém em Deus.

Cronologia do caso:
> 30 de abril de 2018: O pai leva João Miguel para pescar na Represa do Salto Grande

> 7 de maio de 2018: Aparecem os primeiros sintomas da doença: febre, vômito e manchas no corpo

> 8 de maio de 2018: A mãe leva João Miguel ao PS do Zanaga. Ele é medicado e liberado

> 9 de maio de 2018: A criança piora, reclama de dores e fraqueza nas pernas e é levada ao PS do HM. Médicos suspeitam da febre maculosa e o internam. João Miguel é transferido para o Hospital São Francisco

> 18 de maio de 2018: Criança tem alta e volta para casa

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