Americana só consegue entregar 58% da água consumida pelo município

Restante vem de reservatórios ou caixas; DAE capta 77,7 milhões de litros por dia e os moradores usam, em média, 86 milhões


Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal.JPG
Carlos Zappia, diretor geral do DAE, disse que reforma no sistema diminuiu oferta de água em 10%

O DAE (Departamento de Água e Esgoto) de Americana consegue entregar apenas 58% da água que, em média, a população consome diariamente. O órgão capta 77,7 milhões de litros por dia do Rio Piracicaba, e os moradores usam, em média, 86 milhões. Como ao menos 35% da água distribuída se perde na rede por causa da tubulação velha e de necessidades operacionais do próprio DAE, o que chega de fato às torneiras é algo em torno de 50 milhões de litros.

Por causa de uma reforma em andamento no sistema, a oferta de água está de 10% a 15% menor que isso, o que tem provocado uma enxurrada de queixas por falta d’água. A solução para acabar com os problemas de abastecimento envolve aumento da captação, construção de novos reservatórios, troca da tubulação antiga e redução do consumo, segundo o diretor do DAE, Carlos Zappia.

Hoje, é como se cada morador gastasse 369 litros por dia, se o volume for dividido pelos 233 mil habitantes. A ONU (Organização das Nações Unidas) diz que, com 110, uma pessoa consegue suprir suas necessidades diárias.

O consumo da cidade é bem maior que o volume entregue porque, além da água que sai diariamente da ETA (Estação de Tratamento de Água) para a rede de distribuição, Americana tem 16 reservatórios, com capacidade para armazenar 35 milhões de litros – além das caixas que as pessoas mantêm em suas residências.

Como o consumo é muito alto, esses reservatórios nunca enchem. “Você amanhece com 12, 13, 15 [milhões de litros]. Quando a gente amanhece bem, nós estamos com 25, 26 [milhões]”, conta Carlos Zappia, diretor geral do DAE, que concedeu entrevista ao LIBERAL na sede da autarquia nesta segunda-feira. A conta, que já não fecha, ficou ainda mais deficitária nas últimas semanas.

É que o DAE está fazendo uma reforma em seus quatro decantadores. São tanques dos anos 50 e 70 que ficam na ETA e realizam a etapa inicial do processo de tratamento. Hoje, um deles está parado por causa do serviço, o que reduz em 10% a 15% a oferta diária de água. Isso, aliado ao alto consumo provocado pelo calor, tem deixado muita gente com as torneiras secas em vários bairros.

A reforma é essencial, afirma Zappia, para que os decantadores consigam tratar mais água do que hoje. É que o DAE está construindo uma nova estação de captação no Rio Piracicaba, que deve ficar pronta até o final de junho. A obra vai permitir que Americana retire do rio 1.050 litros por segundo, o máximo a quem direito (hoje, só consegue retirar 900 litros por segundo). Com o acréscimo, a captação diária giraria em torno de 90 milhões de litros, número já maior que o consumo).

“A situação vai melhorar muito a partir da metade do ano”, diz Zappia, ao projetar o cenário com os decantadores reformados e prontos para tratar a quantidade maior de água retirada do rio.

Em paralelo, ainda neste mês Zappia pretende abrir licitação para construir dois novos reservatórios, um na região do São Roque e outro no Jardim Brasil (a previsão é que as obras levem de 6 a 8 meses). Cada um terá capacidade para 2,5 milhões de litros. Há planos para construir outros três. Um deles seria o novo pulmão da rede, na própria ETA, com capacidade para armazenar 10 milhões de litros – substituiria o tanque atual, de 3 milhões de litros e com problemas. A previsão é iniciar a obra ainda este ano.

Trocar a rede ainda é um desafio de longo prazo: dez anos. Segundo Zappia, quase 500 dos mil quilômetros de tubulação de água precisam ser substituídos. São a principal causa de perdas d’água. Mês passado, por exemplo, uma equipe do DAE conseguiu trocar 1 km. Mas a ideia é abrir uma licitação para a obra seja feita em grande escala.

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