Fechamento da Unitika deixa família inteira desempregada

Empresa tradicional de Americana anunciou seu fechamento e a demissão imediata de 250 funcionários em função da crise econômica


Quando Luiz ligou para a esposa, na manhã de segunda-feira, só queria saber a que horas deveria buscá-la no trabalho para levá-la à consulta médica marcada para as 11h. A resposta revelou que ela, ele e o filho estavam desempregados. “Ela falou ‘cê não sabe o que aconteceu: a Unitika baixou as portas’. Aí, cara, deu um branco, [eu falei] ‘eu não acredito’. [Ela disse] ‘Verdade, tá todo mundo aqui pra assinar o aviso prévio’”.

Os três trabalhavam na Unitika, que anunciou seu fechamento e a demissão imediata de 250 funcionários em função da crise econômica – segundo o Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, foram quatro anos consecutivos no vermelho. Outros 70 trabalhadores serão dispensados, provavelmente até dezembro.

Em pouco mais de três anos, é a quarta grande indústria têxtil que encerra suas atividades na cidade. A Unitika ainda era uma das maiores empregadoras do ramo no município, segundo o sindicato que representa os trabalhadores.

Luiz Carlos Alves Pereira, de 52 anos, trabalhava lá havia 20 anos. A esposa, de 46, tinha 14 anos de casa, e um dos filhos deles, de 22, havia entrado na firma há quase dois. A família representa um perfil comum de funcionários da empresa, segundo o próprio Luiz. Muita gente entrou ali por indicação de parentes, depois indicou outro, que levou mais um.

A esposa contou a Luiz que todos foram chamados ao restaurante pela manhã, onde Akio Toyoda, japonês que é diretor presidente da Unitika no Brasil, revelou as demissões em seu idioma natal. Tradutores explicavam aos empregados o que estava acontecendo.

Após a notícia, houve um baque entre os trabalhadores. “Ficou aquela comoção, o pessoal tudo chorando, porque queira ou não é tudo família.” Ela e o filho do casal faziam o turno das 5h às 13h30. Luiz trabalhava das 13h30 às 22h. Quando chegou, já foi encaminhado com os colegas de turno direto ao restaurante, onde ouviu o mesmo anúncio. “De repente cê para e não acredita que a empresa fechou”, conta. Ele diz que agora a intenção é esperar janeiro e sair distribuindo currículos.

Apesar da demissão em massa, ele acredita que a Unitika fez o que pôde para aguentar. “Não tem o que reclamar da empresa”, diz o auxiliar de fiação. Ele cita que, em 20 anos, nunca recebeu um vale atrasado.

Dayane de Almeida Vitarelli, de 25 anos, estava em sua segunda passagem pela Unitika, para onde voltou em setembro. Foi chamada ao restaurante também às 13h30, embora já soubesse do fechamento desde a manhã. “O pessoal chorou bastante, ninguém acreditava no que estava acontecendo.” Na Unitika, a informação era de que ninguém se pronunciaria nesta terça-feira.

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