Agência avalia pedido do DAE para aumentar tarifa de água

A possibilidade do novo aumento surge em meio às recorrentes queixas sobre falta d’água e acerca da qualidade do recurso hídrico em Americana


Está em fase final de análise um pedido do DAE (Departamento de Água e Esgoto) para aumentar o valor da tarifa de água e esgoto em Americana. A avaliação é feita pela Ares PCJ, agência reguladora de saneamento que elabora um parecer dizendo se há necessidade de reajuste e qual será o índice. A última vez que a tarifa subiu na cidade foi em março de 2017 – alta de 7,18%.

O DAE pediu o reajuste no final do ano passado. Não há prazo para que a Ares termine sua avaliação. O departamento de Americana não sugere um índice específico de aumento. Apenas manda as informações que servem de base para o estudo da Ares.

Foto: Susy Coutinho / Prefeitura de Americana
DAE planeja construir cinco novos reservatórios, trocar adutora e realiza reforma nos decantadores

A agência, então, avalia os custos, os investimentos, a defasagem, elabora um parecer e o submete ao Conselho de Controle e Regulação Social de Americana – o Conselho é apenas consultivo, não tem poder de veto. Depois desse processo, uma resolução da Ares é publicada com o índice de reajuste – se for concedido.

A possibilidade do novo aumento surge em meio às recorrentes queixas sobre falta d’água e acerca da qualidade do recurso hídrico, que por vezes sai com cor da torneira. Os problemas têm provocado reclamações que se acentuaram desde o fim do ano passado. A câmara, inclusive, tem uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga a autarquia.

A dona de casa Abigail Pedroso, moradora do Parque da Liberdade há cinco meses, diz que a falta d’água a acompanha quase todo fim de semana. A situação se repetiu justamente em meio ao Dia das Mães, conta. “A gente passa a vergonha de não poder usar um banheiro”, afirma. “Não tem que aumentar é nada, aumentar o quê se a gente não tem água.”

O DAE planeja construir cinco novos reservatórios na cidade, trocar a adutora do Pós-Anhanguera e realiza uma reforma geral nos decantadores para minimizar o problema dos cortes de água. Sobre o caso específico do Parque da Liberdade, a autarquia informou ontem que não tinha registro de falta de água na Rua Serra da Saudade, onde mora Abigail, no domingo, mas afirma que ontem isso pode ter acontecido em virtude do baixo nível dos reservatórios. Abigail diz que escuta a mesma coisa quando liga para o DAE: que não há registro de problemas no local.

Além do de 7,18% em 2017, no final de 2015 a tarifa foi aumentada em 19,89%. O valor muda de acordo com o nível de consumo. Hoje, o valor somado das tarifas de água e esgoto na camada mais baixa de utilização é de R$ 19,28, para quem gasta até seis mil litros por mês. Quem consome mais paga um valor maior a cada metro cúbico (mil litros).

Apesar do aumento entre 2015 e 2017, a inadimplência nas contas d’água despencou desde 2015. Como mostrou o LIBERAL na semana passada, naquele ano, a cada R$ 100 cobrados, R$ 30 não eram pagos pelos consumidores. Em 2018, o percentual de calote caiu para 8%. O DAE atribui a redução a uma cobrança mais eficaz e facilidades de pagamento.

O DAE informou que vai esperar a manifestação da Ares para falar sobre o pedido de reajuste.

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