Afastado, padre Leandro prega via aplicativo de mensagens

Desde o último domingo, fiéis têm recebido mensagens do sacerdote com reflexões em alusão à Semana Santa


Foto: Arquivo / O Liberal
Nesta quarta-feira, o padre encerrou seu áudio com uma citação a São Francisco de Assis, numa exortação para evitar maledicências pelas costas

O padre Pedro Leandro Ricardo, afastado do comando da Basílica de Americana desde janeiro, voltou a pregar pelo WhatsApp. Desde o último domingo, fiéis têm recebido mensagens do sacerdote com reflexões em alusão à Semana Santa. Nesta quarta-feira, o padre encerrou seu áudio com uma citação a São Francisco de Assis, numa exortação para evitar maledicências pelas costas.

“Nossa reflexão de hoje se encerra com uma frase de São Francisco de Assis, o Pobrezinho de Assis: tua estima pelo próximo não dependa do fato de ele estar longe ou perto de ti. Feliz você será se não disser às suas costas o que não puder dizer com caridade em sua presença.”

Nascido em 1.182 em uma abastada família italiana, Francisco renunciou à herança aos 25 anos e passou a se dedicar a doentes e miseráveis. Leandro, 50, é investigado pela polícia e pela própria igreja por suspeitas de abusar sexualmente de ex-coroinhas e acólitos e por suposto desvio de dinheiro da igreja – por meio de seu advogado, ele sempre negou qualquer crime.

Nas mensagens, o padre se identifica, se dirige ao “querido irmão e querida irmã”, faz reflexões bíblicas e sempre encerra com a saudação “paz e bem ao seu coração”. Leandro pede graças a pessoas enfermas e também com problemas como depressão.

COSTUME. Segundo fiéis ouvidos pelo LIBERAL, o sacerdote tinha o costume de pregar por meio do WhatsApp, mas fazia aproximadamente um mês não encaminhava mensagens. Os áudios desta semana surpreenderam frequentadores da Basílica. Alguns tentam identificar se há indiretas de Leandro nas entrelinhas das mensagens.

Na gravação enviada ontem, o sacerdote agradece mensagens de “ânimo, coragem e apoio” que diz estar recebendo para continuar sua evangelização. “E agradeço também a você que tem inclusive compartilhado essas mensagens com seus parentes, seus amigos.”

Leandro comandou a Basílica por seis anos. Além das denúncias, colecionou desafetos. Chegou a ser processado por uma mulher que afirma que ele lhe negou a hóstia porque chegou seis minutos atrasada à missa. Ela pediu uma indenização, negada pela Justiça. Fiéis têm cobrado recentemente a demissão de funcionários que são ligados ao padre e continuam na igreja. O LIBERAL tentou, sem sucesso, contato com o padre por telefone e pelo WhatsApp.

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