Aeronaves utilizadas no tráfico e apreendidas pela Dise valem R$ 18 milhões

Investigação iniciada no final de 2017 identificou aviões utilizados para transportar cocaína com destino a Europa; Americana era rota do tráfico


A Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Americana apreendeu na última terça-feira (08) três aviões na cidade de Birigui (SP) que eram utilizados no tráfico internacional de cocaína. Antes, no dia 23 de setembro, outra aeronave foi apreendida em Sorocaba. Com as duas operações, são sete aviões e um helicóptero apreendidos desde o ano passado, que juntos valem R$ 18 milhões.

Foto: Divulgação / Dise de Americana
Um dos três aviões apreendidos em Birigui na última terça-feira

O balanço foi divulgado nesta quinta-feira (10) pelo delegado titular da Dise, Luis Carlos Gazarini. As investigações começaram no final de 2017 e partir de uma denúncia anônima sobre movimentação suspeita de dinheiro no aeroporto municipal Augusto de Oliveira Salvação, em Americana. As aeronaves faziam viagens para países como Equador, Colômbia e Venezuela.

O primeiro grande marco da investigação aconteceu em 23 de abril de 2018, quando um avião com 458 kg de cocaína foi apreendido em Carauari (AM). O veículo era registrado no nome da empresa Meu Cockpit Ecommerce, de Americana, e que pertencia a Wesley Evangelista Lopes, identificado como operador do esquema na cidade.

Wesley foi preso no dia 31 de agosto deste ano em Prado (BA). Ele tinha mandado de prisão por tráfico de entorpecentes e foi incluído na lista de procurados da Interpol em 2018. Foi em março daquele ano que ele adquiriu o hangar número 15 do aeroporto de Americana.

No dia 27 de abril de 2018, após o caso de Carauari,  a Dise apreendeu um avião e um helicóptero (avaliados em R$ 1 milhão)  no aeroporto de Americana. Diversos documentos foram localizados no hangar 15 e reforçaram as suspeitas de lavagem de dinheiro na compra dos veículos, que seriam utilizados para o tráfico de drogas.

“Wesley chegou na cidade em 2017, mas a compra (do hangar) foi em março de 2018. De certa forma ele se incorporou da empresa que chamava Meu Cockpit, que já pertencia a uma pessoa oriunda lá do Espirito Santo que era nossa investigado, e passou a ser dono. Começou a administrar e foi aí que chegaram esses aviões (em Americana)”, explicou Gazarini.

Desde o início as investigações foram apreendidos 1,3 tonelada de cocaína em três operações. De acordo com a Dise, o destino da droga era a Europa, onde cada quilo da droga seria comercializado pelo equivalente a R$ 160 mil reais. As investigações seguem e ainda existem cinco aviões já identificados para serem apreendidos.

“Nós fechamos um ciclo. Precisamos fechar para não perdermos aeronaves. Tínhamos que agir rápido. Existem anida cinco aeronaves nos nomes de pessoas investigadas que não sabemos onde estão porque a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) não tem um controle dos aeroportos que não são monitorados, então não sabemos onde descem esses aviões”, comentou Gazarini.

 

 

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