Aequotam quer triplicar atendimento até 2021

Entidade aposta em nova legislação que reconhece atividade da equoterapia para ampliar parcerias, tanto com poder público quanto privado


A Aequotam pretende, em um ano e meio, triplicar o atendimento realizado em Americana. A entidade oferece o tratamento de equoterapia a 40 pessoas da região e pretende ampliar para, pelo menos, 150 atendimentos.

A aposta é que uma nova legislação sancionada pela presidência em maio, que confere reconhecimento à atividade como um tratamento para recuperação de pessoas com deficiência, auxilie a associação sem fins lucrativos a alcançar parcerias, tanto no setor público quanto privado.

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Aequotam quer triplicar atendimento até 2021

Além disso, a Aequotam deve se mudar, até o fim do ano, para uma nova sede que vai contar com um espaço maior para atender o público – para isso, a entidade busca parcerias para a construção da estrutura mínima, estimada em R$ 1 milhão.

Atualmente, há 15 pessoas aguardando uma vaga, mas existe um potencial de demanda ainda maior. A indicação é da fisioterapeuta e coordenadora da entidade, Daniela de Rizzo Bordignon.

Ela explicou que a equoterapia é eficaz para pessoas com deficiências físicas e intelectuais, promovendo reabilitação motora e ressocialização, mas existe também um potencial de melhora para pessoas que tenham apenas atraso no desenvolvimento.

A especialista indicou que a equoterapia possibilita um exercício chamado dissociação pélvico escapular e que a marcha do cavalo é 95% similar ao caminhar humano.

“Toda vez que coloca uma criança, adolescente ou adulto em cima do cavalo, o cérebro vai entender o movimento dessa dissociação numa marcha. O animal faz o movimento tridimensional, esse balançar, você vai ter essa jogada pra frente, para trás, de um lado, outro, para cima e para baixo”, explicou.

Além da reabilitação motora, os participantes também melhoram o equilíbrio e resgatam a auto-estima. “A criança que sempre teve hábito de olhar pra cima porque estava na cadeira, na cama, a partir do momento que está no animal olha para baixo, e ocorre um empoderamento”, indicou.

Atualmente, a entidade funciona na Fazenda São Jerônimo. Contudo, a área privada será utilizada pelo proprietário e a Aequotam vai precisar mudar de endereço até o final do ano. A Prefeitura de Americana concedeu por 20 anos uma área para ser usada pela entidade, com a contrapartida de reconstituição da APP (Área de Preservação Ambiental) e o plantio de 1943 árvores.

Contudo, a Aequotam enfrenta dois desafios para conseguir fazer a mudança. O primeiro é o valor de quase R$ 70 mil em as taxas ambientais para conseguir o licenciamento e alvarás. O segundo é a construção da sede – o projeto mínimo prevê um gasto de R$ 1 milhão, mas existem melhorias que a tornariam um centro de referência e que custam R$ 7 milhões.

Das 40 pessoas atualmente atendidas, 9 obtiveram na Justiça o direito ao tratamento, custeado por convênios ou pelo SUS. Contudo, a entidade ainda tem um custo operacional de R$ 15 mil por mês.

As contas são pagas por meio de parcerias, doações e eventos. No dia 13 de julho, por exemplo, será realizada uma festa julina cuja arrecadação será totalmente revertida à Aequotam. O preço do convite antecipado é R$ 3, e a festa será realizada na Chácara Luz do Campo, em Nova Odessa.

Os convites do evento e outras informações sobre como ajudar a entidade podem feitos na sede da Aequotam, que fica na Rua Serra do Japi, número 109, no Parque da Liberdade. O telefone é 3406-4945.

Mesmo com lei, advogado prevê dificuldades

A lei 13830/2019 foi sancionada em maio, regulamentando e reconhecendo o tratamento da equoterapia. O advogado Elton Fernandes, especializado em direito da saúde, indicou que a dificuldade das famílias em ter o tratamento custeado, seja pelo SUS ou por convênios, não se dá pela falta do reconhecimento formal.

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As contas da entidade são pagas por meio de parcerias, doações e eventos

Ele prevê que, mesmo com a lei, ainda seja necessário buscar na Justiça o acesso. “Toda doença listada no código CID tem cobertura obrigatória pelo plano de saúde, e se cobre a doença não pode excluir o tratamento. O SUS também tem obrigação, o paciente vai precisar demonstrar que procurou o serviço, não há atendimento no município e aí pode judicializar contra o SUS”, indicou.

A Aequotam reclama que já enviou três projetos à Secretaria de Saúde para propor parceria e atendimentos a moradores da cidade, já que por diversas vezes recebeu solicitações por parte de equipes da própria saúde pública. Contudo, os três foram rejeitados.

Questionada, a prefeitura apontou que a legislação que reconhece o tratamento vai entrar em vigor apenas em novembro. “Portanto, qualquer parceria baseada nela apenas poderá ser tratada após esse período.

A Secretaria de Saúde está à disposição para conversar com a entidade, no entanto, parcerias deste tipo precisam estar previstas no orçamento do município, que é definido um ano antes. Assim sendo, a viabilidade financeira de uma possível parceria precisaria ser analisada”, afirmou.

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