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Americana

Aephiva comemora 25 anos de atividades

Associação se transformou em referência no cuidado de pacientes doentes e com vulnerabilidade social em Americana

Por Isabella Holouka

30 set 2020 às 09:20

Referência na assistência social e de saúde de pessoas com HIV ou doentes de Aids e vulneráveis às ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), a Aephiva (Associação Ecumênica de Promoção Humana, Inclusão e Valorização de Americana) completa 25 anos neste mês de setembro.

Dentre os fundadores da entidade, em 1995, estão o falecido padre Pedro Mayer, ex-pároco da Igreja São Benedito, na Colina, e Leonice Aparecida Vieira Silvestrini.

Leonice Silvestrini, uma das fundadoras da entidade, aponta dedicação de todos os envolvidos – Foto: Marcelo Rocha – O Liberal.JPG

“Fazíamos um trabalho de ensinar a alimentação natural, com palestras e visitas, e começamos a encontrar pessoas com Aids. Elas chamavam o padre para dar uma bênção e conversar”, lembra a fundadora e atual tesoureira voluntária da entidade, que na época era coordenadora das paróquias em Americana pela Diocese de Limeira.

“Começamos a partir para esse lado porque víamos uma carência muito grande, as pessoas e as famílias tinham muito medo”, conta.

A iniciativa de alugar uma casa para abrigar os assistidos veio por perceberem a quantidade de pacientes que não tinham onde morar, sem o auxílio das próprias famílias, recebendo a ajuda dos voluntários embaixo de viadutos da cidade.

Presente nos primeiros 15 anos de funcionamento da Aephiva, o vereador Professor Padre Sérgio destaca a dedicação dos fundadores ao estudo sobre a doença, mesmo em uma época em que pouco se sabia sobre ela.

“A entidade passou a ser referência, não havia casas como estas em municípios menores como Americana, e por isso foi colocado no regimento o atendimento regional”, revela.

Nestes 25 anos, a assistente social Raquel Oliveira estima que cerca de 300 pessoas tenham sido acolhidas pela associação, com uma média anual de 15 a 20 pessoas na casa de apoio. “Sem contar assistidos em domicílio e palestras de prevenção em escolas e empresas”, acrescenta.

Atualmente são 14 vagas, sendo que duas ficam de reserva, e sete funcionários. Os pacientes passam por avaliações a cada seis meses, e muitos conseguem se recuperar, inclusive para voltar ao trabalho, segundo Leonice.

A entidade é financiada por projetos federais e estaduais, mas a tesoureira destaca a importância das doações e da realização de rifas e bingos, que ajudam na manutenção do espaço, inclusive na compra de alimentos.

Como principal obstáculo ela relata o preconceito, que muitas vezes está entre os familiares dos pacientes e pode ser sentido até mesmo pelos funcionários.

“Eu vejo que há 10 anos havia mais preconceito, mas a gente tinha mais facilidade para a trabalhar, mais ajuda. Hoje dão preferência para casas de crianças”, lamenta. “Mas temos sempre pessoas com garra para ajudar”, conclui.

Americana tem 918 retirando medicamentos

Entre os anos 1987 e 2020, o SAE (Serviço de Assistência Especializada), da Secretaria de Saúde de Americana, registrou 1.835 exames reagentes para HIV e notificou 658 óbitos.

Atualmente há 918 pacientes ativos, retirando medicação de forma adequada, e 48 pacientes em atraso, sem adesão aos medicamentos por opção, segundo informou a administração municipal em nota.

A médica infectologista Ártemis Kílaris, que atua neste serviço de saúde, explica que a Aephiva recebe pacientes diagnosticados tardiamente, a maioria com sintoma de Aids ou com sequelas, em vulnerabilidade social.

Ela ressalta a importância do diagnóstico precoce e aponta como avanços na área a criação de 15 drogas retrovirais que hoje são utilizadas para o combate do HIV.

“Tratando precocemente evitamos que o indivíduo fique doente e interferimos na transmissão da doença, porque o paciente que está em tratamento tem uma carga viral indetectável e a chance de ele transmitir para um parceiro ou parceira diminui bastante”, afirma.

SAE E CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) oferecem serviços e aconselhamento sobre as infecções sexualmente transmissíveis (IST/HIV/Aids). O atendimento é sigiloso e gratuito e o resultado do teste rápido para diagnóstico do HIV fica pronto em até uma hora.

O endereço é na Rua Cuiabá, esquina com Rua Ana Almeida Pioli, no Jardim Nossa Senhora de Fátima, próximo ao Hospital Municipal de Americana. Os telefones são (19) 3468.3906 ou (19) 3478.3039.

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