Advogado pede que juiz cobre explicações de Omar

Prefeito de Americana disse que vai convidar grupo de professoras para “pressionar” magistrado a reverter suspensão de concurso para professores


O advogado André Galete Gomes pediu nesta sexta-feira que o juiz Márcio Roberto Alexandre cobre explicações do prefeito de Americana, Omar Najar (MDB), sobre a declaração em que o chefe do Executivo convida um grupo de educadores a uma reunião para “pressionar” o magistrado. O objetivo do convite, feito por Omar na última quarta-feira e revelado pelo LIBERAL, seria sensibilizar o togado sobre a situação das escolas municipais.

Por meio de liminar, o juiz suspendeu um processo seletivo para contratar professores em fevereiro. Aquela seleção era a esperança do governo para acabar com a falta de educadores que atuam na cobertura de faltas, o que tem sido um dos gargalos da educação.

A justificativa aceita pelo juiz é de que o processo seletivo pode contrariar a Constituição, por causa da demissão de servidores em estágio probatório em 2017. Alexandre ainda vai julgar o mérito.

Gomes é advogado das três educadoras que foram demitidas em meio ao corte de probatórios e moveram a ação para suspender o processo seletivo.

No documento anexado ao processo, o advogado diz que a manifestação de Omar perturba o “bom andamento do feito e tem a capacidade de ofender o próprio Poder Judiciário ao indicar a iniciativa de provocar pressão sobre um magistrado”.

O representante das educadoras diz crer que as pessoas que integram a Comissão de Educação estão sendo manipuladas. Ele pede que o juiz não as considere representantes da categoria. A comissão foi criada no ano passado a pedido do prefeito para discutir soluções diante da falta de professores.

A prefeitura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o que foi dito na reunião é que era preciso esclarecer a situação para o judiciário. “Esta administração não patrocinou ou não patrocinaria uma ação de pressão contra o judiciário.”

Sobre a acusação de manipulação, a prefeitura disse considerar desrespeito ao Executivo e aos profissionais e afirma que o trabalho foi transparente.

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