Advogado aponta que padre ‘comprava’ silêncio de vítimas

Informação é que modo do padre Leandro Ricardo para aliciar vítimas era igual, com presentes; defesa fala em pessoas cooptadas


O padre Pedro Leandro Ricardo aliciava menores com presentes, aconselhamentos e assumindo a função de figura paterna, segundo os advogados das pessoas que o acusam de abuso. O religioso nega as denúncias, diz que pessoas estão sendo cooptadas para denunciá-lo e que é alvo de perseguição.

De acordo com o advogado Gustavo Paiva, que está colaborando com a defesa das vítimas, o modo de agir era sempre igual. O padre, segundo os relatos das vítimas, que dizem ter sofrido os abusos em Araras (onde Leandro atuou antes de chegar em Americana, no início dos anos 2000), adquiria confiança delas através de aconselhamentos e as levava para locais onde permanecia sozinho com o alvo. Presentes também faziam parte do modo de conquistar a confiança dos jovens e serviam, depois, para garantir o silêncio delas, afirma Paiva. “Após os aliciamentos, eram constantes [os abusos]”, afirma o advogado sobre o caso.

Foto: Arquivo / O Liberal
Defesa do padre Leandro Ricardo disse que nunca houve assédio, abuso ou desvio de dinheiro

Os supostos crimes se concretizavam, afirma o advogado, por meio de toques do padre nas vítimas e sexo oral. As afirmações foram confirmadas pelas vítimas em depoimentos à polícia de Araras, de acordo com o defensor. Até agora, cinco vítimas são representadas pela advogada Thalita Camargo de Fonseca, que está recebendo o auxílio de Paiva. São jovens que eram adolescentes quando ocorreram os fatos descritos por eles. Quatro já foram depor e um quinto deve fazer isso na semana que vem.

O advogado Paulo Sarmento, que representa Pedro Leandro Ricardo, enviou uma nota em que afirma que padre Leandro está sendo perseguido por um “grupo de desafetos desde a época em que estava em Araras”. “Isso se intensificou com a sua vinda a Americana, quando as pessoas que não concordavam ou se julgavam prejudicadas pela mudança se uniram a esse grupo.”

A nota informa que pessoas estão sendo cooptadas para que façam novas denúncias com o objetivo de excluir Leandro da igreja para satisfazer interesses pessoais de um grupo. Ainda segundo a nota, muitas das acusações são antigas, já foram investigadas e não ficaram provadas.

“Nunca houve assédio ou abuso, e tampouco desvio de dinheiro, o que ficará demonstrado ao final das investigações”, diz a nota enviada pelo advogado do padre, que, além de abuso, é investigado por suposto desvio de dinheiro da Basílica.

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