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VCA 141, DEZ ANOS

Acidente na linha férrea deixou marcas físicas e psicológicas em sobreviventes

Local da colisão e buzinas de trem ainda trazem à tona lembranças do episódio, que deixou sequelas em quem estava no ônibus

Por Rodrigo Alonso

08 set 2020 às 07:58 • Última atualização 08 set 2020 às 09:25

A tragédia do VCA 141 deixou marcas físicas e psicológicas em sobreviventes, sentidas mesmos 10 anos depois. Leticia Dias, hoje com 29 anos, ainda mora em Americana, no Zanaga, mas trabalha como assistente de operação em Sumaré. Quando contorna a linha férrea no caminho para o serviço, ela se lembra do episódio.

“Todo dia de manhã, ouço as buzinas, porque coincide de o trem estar passando, e já vem aquela sensação ruim. A gente não esquece, não. É difícil”, diz.

Naquele 8 de setembro de 2010, ela voltava com mais três amigos da Escola Estadual João XXIII, onde fazia curso de técnico de logística.

Todos sobreviveram, mas as cenas daquela noite ainda vêm à memória de Leticia.

“A cena que não sai da minha cabeça até hoje é a hora que eu desci, que eu tive de ir pulando os corpos que estavam no chão”.

No resgate, ela saiu por cima do vagão. A assistente teve um corte no supercílio, pois a lente de seus óculos estourou, e também ficou com hematomas por todo o corpo.

Karolline Barbosa Rossetto, de 26 anos, também teve hematomas e sofreu cortes no braço. Mas, apesar dos ferimentos, ela contou que foi tomada por um sentimento de culpa quando desceu do ônibus e viu o estado das outras vítimas.

“Tinha muitas pessoas gritando, pedindo socorro. E dá aquele sentimento de impotência, de não poder fazer nada para ajudar, e às vezes até se sentir culpada também, por você estar bem e as outras pessoas não”, lembra.

O episódio mexeu com Karolline. Por um período, ela se assustava sempre que passava pela linha férrea, no cruzamento com a Rua Carioba, e ouvia as buzinas.

Ela fazia esse caminho diariamente, pois trabalhava no Centro e morava no Zanaga.

A jovem Karolline, passageira do VCA 141, no cruzamento da Rua Carioba, onde acidente ocorreu há exatos dez anos – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

“Hoje em dia, eu quase não lembro mais, mas passei algum tempo um pouco traumatizada”, contou ao LIBERAL.

No caso do abastecedor Felipe Henrique Gomes Nunes, de 27 anos, as sequelas são físicas. Na época, ele sofreu uma fratura no pulso direito e precisou se afastar do trabalho. Felipe era servente de pedreiro.

“Eu tinha acabado de ingressar no mercado de trabalho. Aí tive de ficar parado”, contou Felipe, que estava há um mês no serviço.

Ao LIBERAL, ele contou que demorou um ano e meio para se curar e, até hoje, está com dois pinos no pulso.

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No entanto, Felipe afirmou ter superado o acidente. “É bem memorável, porque é uma coisa que não acontece todo dia. Mas, graças a Deus, superei. Está tudo bem. E vida que segue”.

O LIBERAL também tentou contato com outros sobreviventes. Quatro deles preferiram não falar com a reportagem.

“Eu não gostaria de falar sobre isso. Ainda é um assunto complicado apesar de já ter se passado dez anos”, justificou uma das vítimas. Ao todo, 18 pessoas sobreviveram à tragédia.

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