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Americana

Abrigados na Fidam, moradores de rua relatam as dificuldades de resistir às noites frias

Espaço foi transformado em abrigo para moradores em situação de rua por conta do frio intenso

Por Ana Carolina Leal

29 jul 2021 às 08:21 • Última atualização 29 jul 2021 às 08:45

Triste. Foi essa a palavra que o açougueiro Rodrigo, 42 anos, morador em situação de rua usou para definir como são as noites frias para quem não tem um abrigo. Ele e a mulher, a costureira Angélica, 38 anos, estão desde a noite de terça-feira acolhidos na Fidam (Feira Industrial de Americana), na Avenida Nossa Senhora de Fátima. O espaço foi transformado em abrigo temporário para acolher até 3 de agosto, moradores que assim como o casal entrevistado pelo LIBERAL, não tem onde morar.

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“A gente não dorme. Podemos ter três, quatro mantas e mesmo assim, o sereno, o vento, por mais que nos escondemos atrás de um muro, ficamos pertinho um do outro, não conseguimos nos esquentar o suficiente para dormir”, disse Rodrigo. O casal mora há dois anos e oito meses nas ruas de Americana. Eles saíram de casa por divergências familiares e tentam voltar ao mercado de trabalho.

“É o que a gente mais deseja, mas por não termos uma casa, um endereço fixo, fica mais difícil arrumar emprego”, desabafou Angélica.

Assim como o casal, Guilherme, 21 anos, aceitou o convite das assistentes sociais da prefeitura e da guarda municipal para pernoitar na Fidam. Acabou gostando da recepção e estendeu a estadia por todo o dia desta quarta-feira. “Cheguei molhado, tomei um banho, me alimentei e dormi. Na rua, a gente coloca papelão, cobertores, mas não adianta. Nada esquenta. É desesperador”, disse.

O abrigo temporário é resultado de uma parceria com a prefeitura. O objetivo é proteger as pessoas em situação de rua da queda brusca das temperaturas. A ideia inicial era oferecer duas refeições (jantar e café da manhã), banho e condições para que os moradores pernoitassem, porém, diante do frio intenso durante o dia, o acolhimento foi estendido por 24 horas com todas as refeições inclusas.

“Vamos seguir dessa forma enquanto a temperatura estiver em queda. Muitos passaram à noite e permaneceram durante o dia. E outros saíram para seus afazeres e voltam no período noturno”, afirmou Luciane Pasqualino, do Seas (Serviço Especializado de Abordagem Social), em entrevista à reportagem na tarde desta quarta-feira.

Para esta quinta-feira, as mínimas previstas são de 4 e 5°C, ao amanhecer. As máximas ficam em torno de 15°C. “Na sexta feira, o dia amanhece com temperatura ainda mais baixa, entre 3 e 4°C. Os ventos estarão mais intensos, o que baixa a sensação térmica. Nosso corpo pode perceber temperaturas em torno de 0°C no início da manhã”, explicou o meteorologista do Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura), da Unicamp, Bruno Kabke Bainy.

Segundo Luciane Pasqualino, do Seas, as doações foram surpreendentes. “ Acredito que vá dá para ajudar não só essas pessoas, mas também comunidades que estão passando frio e necessidade”. Nesta quarta-feira, a rede de Supermercados São Vicente, uma das muitas empresas que abraçaram a causa, doaram produtos de higiene pessoal e alimentos.  

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