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Americana

Aberta desde 1960, Sapataria do Alemão vai fechar

Após 61 anos de história, a tradicional sapataria, fundada pelos irmãos Euclides e Olivir Bonaldo, vai fechar as portas na Rua Carioba, em Americana; pandemia colaborou

Por Rodrigo Alonso

11 abr 2021 às 08:55 • Última atualização 11 abr 2021 às 08:57

Os irmãos Olivir e Euclides, donos da sapataria que por décadas recebeu fregueses como o ex-prefeito Abdo Najar

O imóvel de número 199, na Rua Carioba, no Centro de Americana, não será mais o mesmo. A partir do próximo dia 30, ao passar por ali, o americanense não vai mais encontrar os irmãos Euclides e Olivir Bonaldo, que construíram basicamente uma vida nesse endereço, por trás do balcão da Sapataria do Alemão.

Após 61 anos de história, o estabelecimento vai fechar as portas. Os proprietários decidiram encerrar as atividades em meio à queda no volume de serviço causada pela pandemia.

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Outro motivo é a idade. “Vamos parar enquanto a gente tem um pouco de saúde. Depois que ficar doente, não adianta parar mais”, diz Euclides, de 72 anos.

Os dois também temem uma contaminação pelo coronavírus (Covid-19), até porque, no dia a dia, eles têm contato com calçados de diferentes pessoas. “A gente corre o risco”, afirma Olivir, de 78 anos.

A dupla abriu a sapataria em 1960. Desde então, observou toda uma transformação da Rua Carioba e, consequentemente, de Americana.

“A gente está aqui na Rua Carioba desde o tempo que a passagem para Piracicaba era aqui. Descia a Avenida da Saudade, passava aqui, subia a Washington Luís e ia para Piracicaba, Santa Bárbara. Não tinha a SP-304”, conta Euclides.

No entanto, segundo eles, as mudanças afastaram as pessoas na Carioba. Os dois apontam que, hoje, os comerciantes não se conhecem mais, diferente de tempos atrás, e o movimento diminuiu. “A Rua Carioba, agora, não é um terço do que era antigamente”, lamenta o irmão mais novo.

Porém, as lembranças continuam vivas e são guardadas com carinho pelos sapateiros, que tiveram como freguês, inclusive, o falecido ex-prefeito Abdo Najar, que governou Americana entre 1969 e 1973. “Toda semana ele passava, ia até a ponte a pé, depois voltava, sentava no banquinho do lado e ficava batendo papo”, lembra Euclides.

Até por conta desses momentos, eles afirmam que sentirão saudade do estabelecimento, onde, além de mexerem com calçados, também fizeram amigos. “A gente vai sentir muita falta, porque temos muitos amigos que sentavam no banquinho e vinham conversar. Não era só o serviço”, diz Olivir.

Os irmãos e colegas de trabalho Euclides e Olivir, que agora pretendem se “aposentar de vez” – Foto: Marcelo Rocha – O Liberal

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FIM DE CICLO. Os dois sempre trabalharam com calçados e, com o fechamento da sapataria, vão se aposentar de vez. “Tudo que tem um começo tem de ter um fim. Começamos juntos, passaram os anos, e vamos terminar juntos. Chegou um momento que a gente achou que estava certo para parar”, afirma o irmão mais velho.

Olivir foi o primeiro a realizar serviços desse tipo. A princípio, ele engraxava sapatos na Avenida Antônio Lobo.

“Eu comecei a aprender o ofício, coisa ou outra. Depois, eu pegava uma caixinha, colocava nas costas e ia à Antônio Lobo para engraxar sapato, em 1954 mais ou menos. Era meio período na escola e meio período nisso aí”, conta.

Depois, Euclides seguiu o mesmo rumo, a ponto de os dois fundarem, juntos, a Sapataria do Alemão. Nesta pandemia, os irmãos tiraram férias pela primeira vez e, agora, já estão se despedindo dos clientes. “É difícil. A gente sempre estava junto. Vai mudar completamente” diz Olivir.

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