A rua na Vila Margarida que só tem água à noite

Moradores reclamam da situação, que se intensificou ao longo do último ano, e encontram alternativas para driblar o problema


“Não tem água o dia inteiro, até meia noite. Faz mais de um ano”. O desabafo é da aposentada Sueli Soares, de 73 anos, que mora há mais de 30 anos na Rua Professor Cunha Raposo, no bairro Vila Margarida, em Americana. A escassez de água sempre foi uma realidade no local, segundo ela, mas se intensificou ao longo do último ano.

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal
Se eu der a descarga eu fico sem água na caixa para usar na cozinha”, afirma a aposentada Sueli Soares, de 73 anos

“O DAE (Departamento de Água e Esgoto) fala que precisa arrumar o cano da rua, que tem que trocar porque é de ferro. Não é de hoje que eu reclamo. A rua inteira fica sem água”, comentou Sueli.

Mesmo com uma caixa d’água em sua residência, o problema afeta a rotina. Um ato corriqueiro, como dar descarga, é “proibido”. O objetivo é garantir que haverá louça lavada após as refeições.

“Eu não uso nem a descarga porque você já viu, né? Dá a descarga, vai aquele monte de água. Se eu der descarga eu fico sem água na caixa para usar na cozinha”, contou a aposentada.

A estratégia encontrada para lidar com o problema é armazenar a água que sai da máquina de lavar roupas, que só é utilizada quando o abastecimento na rua é retomado no final da noite. Os demais cômodos contam com a água da caixa, mas é preciso economizar.

“Lavo e seguro a água da máquina para jogar na bacia da privada. Se não eu fico sem água em casa”, disse Sueli.

Encontrar uma alternativa para não depender do abastecimento municipal foi o que fez o aposentado Alpheu Santarosa, de 79 anos. Ele colocou quatro tonéis de 200 litros cada em casa e fez um sistema para enchê-los com água da chuva. Três ficam no quintal e um dentro de casa.

“Eu tenho quatro tonéis que pego água da chuva. Até o DAE veio aqui porque achou que eu não gastava água. Lavo roupa, quintal, tudo com água da chuva. Sempre teve problema aqui (no bairro)”, afirmou Santarosa.

Já o aposentado Antonio Renato Nascimento, 65, apontou que o DAE realizou manutenção em alguns trechos da tubulação no segundo semestre de 208. Entretanto, o problema persistiu. “Já faz bastante tempo que está faltando. Essa rede de água foi feita em 1970. Vieram aqui e cavocaram a rua, cortaram uns pedações e viram que a rede está entupida”, contou Nascimento.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Encontrar uma alternativa para não depender do abastecimento municipal foi o que fez o aposentado Alpheu Santarosa

O OUTRO LADO. O DAE (Departamento de Água e Esgoto) de Americana informou inicialmente que tinha recebido apenas três reclamações em relação a essa rua nos últimos seis meses, o que indicaria que poderia ser um problema pontual. Entretanto, após vistorias, a autarquia confirmou que a rede está “comprometida”.

“O DAE informou que, dentro de até 30 dias, será iniciada a troca de rede de aproximadamente 170 metros”, disse a assessoria de imprensa da prefeitura.

O LIBERAL questionou sobre quais são os problemas específicos da rede, e qual o motivo para faltar água de dia e chegar à noite, mas não houve resposta.

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