Psicólogo fala sobre os desafios atuais na educação do filhos

Psicólogo, que dará palestra em Americana nesta quinta, fala sobre os desafios atuais na educação do filhos


Equilibrar autoridade e afeto é o melhor caminho para educar os filhos e prepará-los para a vida, na avaliação do psicólogo Marcos Meier, que também é professor, autor de livros e mestre em educação. Palestrante nacional e internacional a respeito de relacionamento interpessoal, ele estará em Americana na próxima quinta-feira para a palestra “Limite e Emoções”.

Foto: Divulgação
Marcos Meier falou ao LIBERAL, na estreia da seção “Liberal Entrevista”, sobre os desafios da vida moderna na educação de crianças e adolescentes

O evento é promovido pelo Colégio Antares e acontecerá às 19h30, no Teatro Municipal. Os ingressos antecipados custam R$ 20 e estão à venda na secretaria do colégio. Na hora, custarão R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Marcos Meier falou ao LIBERAL, na estreia da seção “Liberal Entrevista”, sobre os desafios da vida moderna na educação de crianças e adolescentes.

Quais os desafios que os tempos atuais impõem na educação dos filhos?
É a falta de tempo, de qualidade, na relação dos pais com seus filhos. O espaço tomado pelos aparelhos digitais acaba diminuindo muito a interação da criança ou adolescente com pessoas reais, cara a cara. Antigamente, se um de nossos amigos fosse um grande “mala”, um chato, a gente tinha que suportá-lo e aprender a lidar com ele. Esse aprendizado nos ajudava a desenvolver habilidades sociais. Da forma como as crianças estão hoje, bloqueando ou excluindo os chatos, os críticos ou os de opinião contrária de suas redes sociais, faz com que não aprendam tais habilidades e se tornem infantilizados, sem maturidade emocional para conviver.

Muito se fala na imposição de limites. Mas como fazer para os filhos respeitá-los?
Educação de qualidade se faz com o equilíbrio de dois fatores: afeto e autoridade. A ausência ou fragilidade de um desses impede que a criança ou o adolescente aprenda a respeitar regras, limites ou outras pessoas. Filhos que não sabem quem manda em casa deixam de ser crianças para competir. Filhos birrentos, manhosos, manipuladores e chantagistas são ensinados a ser assim. Quando os pais colocam limites com amor e firmeza, a única opção que os filhos têm é serem crianças, serem adolescentes e viver a vida aproveitando a fase.  Amor e firmeza é o caminho.

Como lidar com os filhos adolescentes na fase em que a referência deixa de ser os pais e passa a ser o grupo de amigos?
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a adolescência é um período que inicia aos 10 anos de idade e se encerra aos 20 incompletos. Isso significa que são basicamente 11 anos de mudanças, emoções intensas, desobediências, discussões e variações de humor quase diárias. É como se ele “precisasse” agredir para afastar a interferência de seus pais. Assim, durante um tempo, o jovem vê os adultos como pessoas a “afastar” e seus colegas como “gente que está do meu lado e sofre assim também”. É normal que essa identificação com os amigos aconteça, não precisamos nos preocupar achando que jamais voltarão para nós, pais. Os filhos não estão “indo embora”, mas se transformando, amadurecendo e se tornando indivíduos, sujeitos.

Qual o erro mais comum que os pais cometem na educação dos filhos?
A chave para uma educação sábia, que fará os filhos serem pessoas realizadas e felizes, é equilibrar afeto com autoridade. O erro mais comum é desequilibrar os dois fatores. Pais sem afeto e muita autoridade são duros demais e acabam tirando das crianças a alegria de viver. Elas passam a ter medo de tudo, pois não querem errar e isso as faz recusar novos desafios, novos projetos, cargos de chefia e assim por diante. Por outro lado, pais afetivos “demais” e sem autoridade mimam a criança, que pensa ser o centro do universo. Crianças desse tipo têm dificuldades com a frustração e são muito dependentes. E o pior de todos os perfis paternos é o permissivo, que nem exerce a autoridade nem constrói vinculo.

Vemos crescer o número de suicídio entre os jovens. A quais sinais os pais devem estar atentos e como ajudar os filhos e evitar o pior?
Os fatores que fazem parte da base emocional saudável são:

  • Autoestima adequada: não é baixa a ponto de o jovem achar que ele não vale nada e nem muito alta, quando o sentimento de arrogância afasta os amigos e adultos;
  • Sentimento de pertença: o jovem se sente parte da família porque participa dela, lava a louça, cuida do cachorro, tem responsabilidades em casa. Sem esse sentimento vêm as perguntas: o que estou fazendo nesse mundo, por que eu existo?
  • Sentimento de valor para alguém ou para a sociedade.

Assim, se o jovem tem problemas nesses três fatores, pode vir a desenvolver pensamentos suicidas. Os pais, em vez de se preocuparem excessivamente com “o que meu filho está sentindo” sem conseguir respostas adequadas para essa pergunta, deveriam se preocupar com a existência desses fatores na vida de seus filhos. Cumplicidade, parceria, intimidade, tempo de convivência saudável, tudo isso “protege” nossos filhos. Claro que é preciso prestar muita atenção também na possibilidade da depressão, o que potencializa todo o problema. Nesses casos é importantíssimo que se procure ajuda profissional.

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