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Notícias que inspiram

A fé que move montanhas

Treze anos depois de ser desenganada por médicos, jovem barbarense conta sua história de recuperação

Por Jucimara Lima

06 de junho de 2022, às 07h23 • Última atualização em 06 de junho de 2022, às 07h24

Segundo o dicionário, fé é um substantivo feminino que significa uma crença intensa na existência de algo abstrato que, para a pessoa que acredita, se torna verdade. Para a pedagoga Regina Maiara Marchesini, de 30 anos, fé é o que a salvou de morrer quando tinha apenas 17 anos.

Até essa idade, Regina era uma adolescente alegre, falante, cheia de vida e sempre rodeada de muitos amigos. Apenas uma dor no estômago, primeiramente diagnosticada como gastrite nervosa, tirava um pouco do seu astral.

Regina é devota de Nossa Senhora e se emociona sempre que fala da santa – Foto: Marcelo Rocha – O Liberal.JPG

Contudo, quando a dor começou a ficar cada dia mais forte, o sinal de alerta acendeu. Após exames, ela foi diagnosticada com uma pancreatite. “Eu tinha muitas pedras na vesícula, e elas acabaram entupindo o canal do pâncreas, algo que começou a causar necrose em outros órgãos próximos”, explica.

Mesmo com tratamento, a jovem não reagia e ficava cada dia pior. Curiosamente, nessa época ela estava com a vaga garantida para cursar a faculdade de veterinária em uma universidade de Minas Gerais e tinha acabado de ganhar um carro, que ela brinca nunca ter saído da garagem, já que posteriormente, o presente do pai precisou ser vendido para custear o tratamento.

A verdade é que a vida parou para a adolescente, afinal, foram meses passando por diversas internações em hospitais de Americana, Santa Bárbara d’Oeste e Campinas. “Em determinado momento, os médicos chamaram meus pais e falaram na minha frente que era para eles se prepararem porque provavelmente eu não sairia viva dali”, lembra.

A pedagoga conta que esse foi o maior baque. “Foi a fase mais difícil para mim. Eu tinha muito medo de morrer e, sinceramente teve momento que achei que minha vida estava perdida”, recorda, emocionada.

Primeiros tempos. De acordo com Regina, no começo ela ficava muito desesperada e sentia falta dos amigos, porque poucos apareciam para visitá-la. “Dava para contar nos dedos”. Contudo, foram nesses momentos de solidão, que ela passou a refletir sobre a vida, algo que a fez valorizar um pouco mais a família.

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“Foi um marco de divisão de amizades. Entendi pela primeira vez o que era amizade, o que era amor, o que era família, ali eu voltei as minhas raízes, porque eram eles que estavam comigo, eram eles que me apoiavam no meu desespero, enxugavam o meu choro, seguravam a minha mão, iam atrás de médicos e corriam para tudo quanto é lado para tentar me salvar”, pontua.

Da morte à vida. Praticamente desenganada, Regina passou três meses internada, entre quartos e UTIs. “Estava fazendo apenas tratamentos paliativos, quando começou uma mobilização de fé muito grande ao meu redor. Pessoas que nem me conheciam entraram em uma corrente de oração forte”, relata.

Assim, segundo ela, diversas igrejas começaram a pedir por ela. “Eu sou católica, mas a fé para mim, é uma coisa só, porque Deus é um só. Se você crê nele, se você acredita, ele estará com você, independentemente se é umbanda, candomblé, evangélico, espírita ou católica”, diz.

Nesse período, ela ganhou um crucifixo que até hoje tem em casa e que se tornou bastante emblemático em sua história. “Eu ficava com ele o dia inteiro na mão a ponto de deixar marca na minha mão de tanto que eu apertava”, lembra.

Para ela, essa foi uma fase de reencontro com Deus e principalmente Nossa Senhora. “Eu sempre gostei muito da história dela e acabava sonhando muito com a santa. Nesses sonhos ela me acalmava e a sensação era de estar em seu colo”.

Com a cirurgia para a retirada do pâncreas aguardando apenas uma vaga de UTI para acontecer, do dia para noite Regina começou a reagir positivamente ao tratamento que até então não fazia efeito algum em seu organismo.

Em pouco tempo, ela se recuperou, não precisou fazer a cirurgia e até hoje vive sem resquícios do problema que poderia ter levado sua vida. “Alguns médicos disseram que essa melhora que tive foi algo que a medicina não explica, mas que para eles, toda essa mobilização de fé, acabou impulsionando minha melhora”.

Tempos depois, ela foi a Aparecida do Norte pagar uma promessa que seu pai fez pela sua vida. “Meu pai voltou a ter fé depois que viu tudo que aconteceu comigo”. Gratos, eles fizeram questão de visitar as igrejas que fizeram correntes de oração.

“Foi uma bela experiência. Eu precisava passar por tudo para amadurecer. Certa vez ouvi de uma das pessoas que me visitou no hospital que Deus só dá a cruz que ele sabe que a gente consegue carregar. Se ele me deu aquela cruz, aquela doença, é porque ele sabia que minha fé iria me curar. Que de alguma forma eu seria renovada, seja com vida ou não. Mas que eu iria sair de lá aprendendo alguma coisa, e eu aprendi, que a fé, move e muda quem a gente é, o que a gente pensa, a fé muda tudo”, finaliza.

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