Vacinar é proteger: entenda a importância de se imunizar contra a gripe

Campanha de vacinação contra a gripe segue até 31 de maio; veja quem tem direito às doses e entenda o que significa pertencer aos grupos prioritários


As doses que vão proteger a população vulnerável às formas mais graves da gripe estão disponíveis aos grupos prioritários.

A reportagem conversou com o infectologista e professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu, Carlos Magno Fortaleza, para entender quais os critérios que definem quem se enquadra no público-alvo da campanha.

Foto: Adobe Stock
A vacina deste ano protege contra o vírus Influenza dos tipos A (H1N1), A (H3N2) e B

Basicamente há dois critérios – o primeiro se refere a pessoas em que há evidências científicas que a vacina previne internações e mortes; já o segundo são profissionais que tem contato com essas populações.

No primeiro grupo se encaixam os idosos, crianças, gestantes, portadores de doenças crônicas, lactantes, indígenas e população carcerária. Eles estão mais suscetíveis a desenvolverem a forma mais grave da gripe e correm mais risco de morrer em decorrência da doença.

As gestantes, por exemplo, trabalham com uma sobrecarga que as tornam menos capazes de resistir à gripe. Os idosos e as crianças têm o sistema imunológico mais frágil, e as populações indígenas apresentam resistência baixa à doença.

Pessoas encarceradas vivem em aglomerações e estão expostas a micro-organismos. Porisso, têm grande potencial de disseminar a doença dentro dos presídios.

Na outra ponta estão aqueles que têm contato frequente com esses. Professores, profissionais da saúde e funcionários do sistema penitenciário também precisam se proteger para evitar transmitir a doença para populações vulneráveis.

O grande desafio na região é proteger as gestantes e as crianças, grupos que historicamente têm baixa adesão à campanha. “Só depois da pandemia em 2009 esses outros grupos foram incluídos. Houve menos tempo de diálogo e ainda não conseguimos convencer a população. Isso também é uma grande falha dos médicos. Muitos obstetras contra indicam a vacina para grávidas, e os pediatras não batem pesado na necessidade de se vacinar”, declarou Fortaleza.

Ao tomar a vacina, a gestante também vai transmitir anticorpos para o feto. O mesmo ocorre com a mulher que está amamentando. “Como os bebês com menos de seis meses não podem tomar a vacina, a única forma de proteção é por meio dos anticorpos passados pelo leite materno”, explicou o ginecologista Paulo Padovani, diretor do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba.

Doentes crônicos

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e sua Comissão de Doenças Endêmicas e Infecciosas recomenda aos pacientes com doenças reumáticas que procurem os postos de saúde para vacinar-se contra a gripe, até 31 de maio. A SBR alerta que a gripe, um quadro infeccioso causado pelo vírus influenza, traz riscos adicionais a pacientes de doenças crônicas.

“Esses pacientes são, exatamente, os mais propensos a desenvolver formas graves da gripe pois, além de conviverem com um sistema imunológico alterado, enfrentam os efeitos imunossupressores de seus tratamentos”, informa Gecilmara Salviato Pileggi, presidente da Comissão de Doenças Endêmicas e Infecciosas da SBR.

Ela lembra que, segundo cálculos da Organização Mundial da Saúde, 700 milhões de pessoas entre crianças e adultos – o equivalente a mais de o dobro da população total dos Estados Unidos – sofrem, todos os anos, de severas complicações de saúde por terem doenças crônicas e ficarem gripados.

“Infelizmente, no entanto, poucos pacientes com artrite reumatoide e artrite psoriática efetivamente se vacinam, já que a recomendação da vacinação contra influenza para esses casos específicos é desconhecida da população”, comenta a médica. “Em caso de dúvida, recomendamos que os pacientes conversem com seus médicos”.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora